Viagem pela Escuridão

sexta-feira, 20 de abril de 2012
'

Cada "depois" nunca chegou
E eu continuo esperando
Por uma vida que nunca aconteceu
E todos os sonhos que adormeci
São fantasmas que me prendem
Depois de tudo que me tornei
Eu sou o único

Da categoria, trechos de música que me explicam. hehe

FM.

Licença para Matar - Parte 1

'

Relax... it's over, you belong to me
I fill your mouth with dirt.
Relax... it's over, you can never leave.


So blue... so broken, paper doll decays
I haven't left you yet
So cold... subversive, your eyes are full of bleach

Tomorrow, I will go away again...

I can tear you apart
I can recombine you
All I want is to covet you all
You belong to me
I will kill you to love you.



FM.

O dia em que não houve luz

quinta-feira, 5 de abril de 2012
'
Então abriu os olhos. Os ruídos eram gritos e agonia e lágrimas. Eram egoístas. Seu corpo levantou como se por mecânica e buscou algo para vestir, habitualmente, naturalmente. Dentro de sua pequena bagagem, metade das roupas havia sumido. Já estava tudo pronto para a próxima mudança, tudo esperando pelo novo método de vida. Esperando pelo próximo tapa que iria receber. Vestiu-se ao redor daqueles ruídos que ainda ecoavam dentro de sua cabeça, latejantes.

Não havia um sorriso sequer prestes a aparecer. Nada além de um semblante mecânico que se recusou a comer qualquer coisa, para não ter que entreabrir os lábios. Prestes a cair na armadilha do colapso daquele lugar, fugiu. Escondeu-se em seus próprios ruídos, mas estes considerava harmoniosos. Chamou de Kill The Light. Mate a luz. Parecia apropriado, já que até saber que aquele dia era encharcado de sol lhe doía na cabeça. Fechou os olhos por um segundo e recebeu um sorriso de cinco centímetros, achou que este valia por um dia inteiro e abriu os próprios lábios em um meio sorriso.

Mas o tédio ainda se contava. Não havia nada. Somente barulho, muito dele. Havia gritos desconexos de um bêbado qualquer, e gritos de criança mimada. A TV não convidava, não era permitido escuta-la. Era um daqueles dias em que nem pensar era permitido. Então a serenidade abandonou tudo o que era. Deixando apenas pedaços. Imagens queimadas do passado ainda jogavam cinzas e restos no presente.

Seus olhos se fecharam. As noites ficam mais escuras quando os olhos se fecham. As vozes silenciam quando o véu negro envolve o céu em sua decadência, a escuridão. Silêncio. Entorpecente. Maldito e angustiante. Era ali que não se podia mais fingir engolir. Naquele momento não havia mais porque tentar enganar a si mesmo e pisar em cima de tudo o que significava aquele momento. Adoece por não poder dizer, por precisar calar.

Enquanto isso, luta para se manter em pé. Já não há alegria novamente. Não há luz. As noites estão mais escuras, os olhos se fecharam para acordar num novo e angustiante dia quente de sol.


FM.