'
Num dado momento de sua vida, as lágrimas voltaram aos olhos. Pacíficas e ácidas e mortas. Retalharam pequenos fragmentos, até restar apenas o pó do que antes eram momento fugidios. Espalharam-se pelo mundo. Inexistiram. Não havia mais passos pelo caminho, nem dor. Um dia foi dito por seus lábios palavras tristes que secaram seu sentido de completo.
Porque anjos sangram em silêncio para proteger.
Anjos morrem para esquecer a dor.
Mas restava apenas pó, onde antes havia vida. Nunca mais pulsação, nunca mais sorrisos ternos, tênues, vivos, espalhados pelo rosto. Havia apenas um fantasma do passado, que ressurgia enquanto a profusa casca brilhante se partia. Apenas pó. Camadas leves e finas de areia que se dissipavam no ar, rarefeitas. Morria enfim a lembrança. O descontentamento. O nó insistente em uma garganta que permitiu ser cortada pelas mãos hábeis do silêncio.
Morria enfim a esperança. Ladeavam lágrimas e gritos. Aquela mão que um dia subiu ao céu e, trêmula, incerta, pediu ajuda. Agora restava apenas o pó. Em espirais no ar, subiam até o infinito, num céu desbotado, opaco, soturno. Onde antes havia um buraco, ao redor de seu coração, atingiu-se uma plenitude, o nada. Transpareceu todo o sofrimento mudo, amordaçado, conspurcado e perdido. Eram apenas lágrimas.
Pacíficas. Ácidas. Mortas. Palavras que não conseguiram ser produzidas pela voz. Se foram, como segredos presos em nós, em sua garganta. E não havia nada além de dor, em suas memórias. Nada a atingiu tanto desde que sua esperança se foi. Suspensos em grãos de areia ondulando no ar, estavam todos os frágeis momentos. Agora, esquecidos, pois não restou nada. Nem a lembrança.
Embora todo o seu sofrimento latente tenha sido a marca em sua vida.
E todos os dias Sophie agradecesse por mais um dia sem chorar.
Sem lágrimas o suficiente para acalentar seu coração.
Até o dia em que desistiu de prosseguir.
FM.
Assinar:
Comentários (Atom)
Quem viu...
O pessoal
Categories
- Conto (23)
- Frases (8)
- Homenagem (3)
- Jogos vorazes (1)
- Palavras silenciosas (45)
- Perdido na memória (26)
- Poema (18)
- Princesa Dos Mares (6)
- Reflexos de um Espelho (31)
- Soneto (1)
- Sonhos (16)
- Voobrazhayemyy (2)
FernandaMedeiros. Tecnologia do Blogger.
Popular Posts
-
As sombras quase não existiam, num vestígio gritante que anunciava o meio do dia, o sol reinando solitário num céu sem nuvens, lá no alto. A...
-
' Uma constante icógnita. A promessa secreta de realizar tudo a que se propõe fazer. E sua felicidade contagia todos ao redor, como um...
-
Couldn't take the blame Sick with shame Must be exhausting to lose your own game Selfishly hated No wonder you're jaded Y...
-
' Sick of it all Sick of it all We will not follow Sick of it all Sick of it all They don't understand how Sick we a...
-
IDEIAS BOAS Você estragou tudo que era bom Sempre disse que ninguém te entendia Transformou todos os meus momentos em seus Apenas me deixe e...
-
' Depois de um hiato de... MUITO tempo, eu senti saudade e abri o blog. Não tem nada a ver com o fato de mamãe estar ouvindo "F...
-
' A confiança humana só se extinguirá no dia em que os homens deixarem de confiar em si mesmos, mas meu coração perdido cansou de ouvi...
-
Escute-me O que as palavras não podem transmitir Sinta-me Não deixe o sol em coração enfraquecer FM.
-
I dream in darkness... I sleep to die. Erase the silence. Erase my mind. Our burn ashes blacken the day A world of nothingness ...
-
Esta é a minha versão da história de A Pequena Sereia . ' A brisa marinha circulava como se dançasse pelo céu, através da noite. Uma...
.
Iesu, Rex admirabilis
Et triumphator nobilis,
Dulcedo ineffabilis,
Totus desiderabilis.
Et triumphator nobilis,
Dulcedo ineffabilis,
Totus desiderabilis.
Labels
- Conto (23)
- Frases (8)
- Homenagem (3)
- Jogos vorazes (1)
- Palavras silenciosas (45)
- Perdido na memória (26)
- Poema (18)
- Princesa Dos Mares (6)
- Reflexos de um Espelho (31)
- Soneto (1)
- Sonhos (16)
- Voobrazhayemyy (2)

