É o seguinte. Eu não tenho partido político e minha cor preferida é preto. Não tenho aspirações sobre o poder do Estado, nem confio nele para resolver meus problemas. Muito pelo contrário, por experiência empírica, eu sei que poder concentrado e centralizado finda em fracasso, dívidas, corrupção e ruína. Eu não pretendo falar aqui de forma a contemplar alguém de qualquer lado do espectro político. Só pensei em algo hoje que vislumbro como conjuntura para o futuro. Se nada mudar no fluxo de consciência generalizada dessa geração, veremos algo inédito desde o estabelecimento da democracia regida pela CF/88 no Brasil. O povo não legitima mais, de fato, seus governantes.
Vamos lá, acompanhe meu raciocínio. Democracia é o governo em que a soberania emana do Povo e é tutelada pelo Estado. O Povo usa sua soberania de forma direta quando elege seus representantes por meio do sufrágio. O governo só existe por meio do consentimento dos governados, e serve para proteger a propriedade privada. Esse é o pensamento do filósofo John Locke, mas serve para definir bem o que está arraigado na democracia moderna. Muito bem, parece lógico pensar dessa maneira, demonstrando que o sistema não possui falhas, já que as pessoas escolherão seus representantes e serão representados. É a base do sistema de governo, certo?
Certo. Então o que dizer sobre as ausências, brancos e nulos no Rio de Janeiro, ontem? Há no RJ 4.898.045 eleitores. 3.031.423 votaram, 1.866.622 não votaram. Dois candidatos foram ao segundo turno. Com suas votações somadas temos 1.395.625 votos. É menos do que a porcentagem de ausências, brancos e nulos.
Agora considere as pessoas que estão nesse número. Elas também são cidadãs, também delas emana soberania, correto? Elas estão inseridas no Estado e usufruem dos serviços prestados por Ele, inclusive são vítimas de uma carga tributária trilionária, e tem direitos e deveres para com Estado e Sociedade. Sendo assim, será que um número tão expressivo deve ser desconsiderado pelo sistema eleitoral? Será porque, obviamente, legitimar esse reflexo da sociedade é reconhecer que a democracia falhou miseravelmente.
A desordem é flagrante. A política brasileira é desacreditada, manchada como um esgoto que despeja os piores dejetos humanos. O sistema vigente está prestes a entrar em colapso. Estamos à beira de presenciar uma revolução de pensamento, uma nova era do Iluminismo, que se renova diante da exposição de um sistema vermelho que oprime o povo para enriquecer uma entidade ficcional, e alimentar seus pactos sujos. Digo por mim, que sinto ódio. Prefeituras, Governadorias, Congresso. Tudo isso não passa de valas sujas onde criminosos lidam com dinheiro roubado do povo. Esse povo que se mantém inerte, de cabeça baixa como gado no pasto seco, recebendo migalhas suficientes para se manter vivo.
Sobreviver não é viver. Ao menos eu quero viver. Agora, o questionamento ao qual me submeto é onde fica a soberania que emana do povo para o Estado governar, quando o povo não quer mais entregar seu poder a políticos que sabemos só representar a si mesmos? O Estado é legítimo quando tantas pessoas escolhem não escolher?! É... O mundo como conhecemos é decadente, e cheira a podridão. Está em ruínas. Por fim, Democracia é o sistema que se estabelece a partir do voto.
O povo votou. E decidiu votar em Ninguém.
Ver:
https://www.eleicoes2016.com.br/candidatos-prefeito-rio-janeiro/