I dream in darkness... I sleep to die.

domingo, 9 de outubro de 2016

I dream in darkness... I sleep to die.
Erase the silence. 
Erase my mind.
Our burn ashes blacken the day
A world of nothingness
Blow me away



Espectros fantasmagóricos lamuriam entre as cinzas
Vestígios de carvão que oxidam sob o bolor
Brindam ao horror os que entoam o cântico das vítimas
Fumaça etérea propaga cheiro de morte e calor

Mas há somente pálpebras entre a fantasia e o despertar

O sabor de lágrimas marítimas embala quimeras soturnas
Porque dos sonhos só restaram os pesadelos
Que devoram as mórbidas vozes diurnas
Se o lençol de estrelas não encobre mais seus devaneios

A lua plúmbea não é capaz de transcender seu coração

A obscuridade fria dos olhos abertos nas trevas eternas
Testemunha sombras sinuosas dançarem enquanto o mundo se vai
Aniquila a tortura e dissipa memórias vaporosas
E a rainha ressurge da dor, da morte, das cinzas

Esteve adormecida por séculos e séculos entre os mortos

Abraça a melancolia solitária na escuridão taciturna
Vê as nuances monocromáticas que absorvem toda cor
Cruzes e terra escura povoam sua terra regada por lágrimas
Corvos riscam o céu cinéreo e névoa tóxica emana em seu fulgor

Até o fim dos tempos ela repousará aqui...

...Bem aqui.



FM.

A Ruína do Mundo como o Conhecemos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016


É o seguinte. Eu não tenho partido político e minha cor preferida é preto. Não tenho aspirações sobre o poder do Estado, nem confio nele para resolver meus problemas. Muito pelo contrário, por experiência empírica, eu sei que poder concentrado e centralizado finda em fracasso, dívidas, corrupção e ruína. Eu não pretendo falar aqui de forma a contemplar alguém de qualquer lado do espectro político. Só pensei em algo hoje que vislumbro como conjuntura para o futuro. Se nada mudar no fluxo de consciência generalizada dessa geração, veremos algo inédito desde o estabelecimento da democracia regida pela CF/88 no Brasil. O povo não legitima mais, de fato, seus governantes.

Vamos lá, acompanhe meu raciocínio. Democracia é o governo em que a soberania emana do Povo e é tutelada pelo Estado. O Povo usa sua soberania de forma direta quando elege seus representantes por meio do sufrágio. O governo só existe por meio do consentimento dos governados, e serve para proteger a propriedade privada. Esse é o pensamento do filósofo John Locke, mas serve para definir bem o que está arraigado na democracia moderna. Muito bem, parece lógico pensar dessa maneira, demonstrando que o sistema não possui falhas, já que as pessoas escolherão seus representantes e serão representados. É a base do sistema de governo, certo?

Certo. Então o que dizer sobre as ausências, brancos e nulos no Rio de Janeiro, ontem? Há no RJ 4.898.045 eleitores. 3.031.423 votaram, 1.866.622 não votaram. Dois candidatos foram ao segundo turno. Com suas votações somadas temos 1.395.625 votos. É menos do que a porcentagem de ausências, brancos e nulos.

Agora considere as pessoas que estão nesse número. Elas também são cidadãs, também delas emana soberania, correto? Elas estão inseridas no Estado e usufruem dos serviços prestados por Ele, inclusive são vítimas de uma carga tributária trilionária, e tem direitos e deveres para com Estado e Sociedade. Sendo assim, será que um número tão expressivo deve ser desconsiderado pelo sistema eleitoral? Será porque, obviamente, legitimar esse reflexo da sociedade é reconhecer que a democracia falhou miseravelmente.

A desordem é flagrante. A política brasileira é desacreditada, manchada como um esgoto que despeja os piores dejetos humanos. O sistema vigente está prestes a entrar em colapso. Estamos à beira de presenciar uma revolução de pensamento, uma nova era do Iluminismo, que se renova diante da exposição de um sistema vermelho que oprime o povo para enriquecer uma entidade ficcional, e alimentar seus pactos sujos. Digo por mim, que sinto ódio. Prefeituras, Governadorias, Congresso. Tudo isso não passa de valas sujas onde criminosos lidam com dinheiro roubado do povo. Esse povo que se mantém inerte, de cabeça baixa como gado no pasto seco, recebendo migalhas suficientes para se manter vivo.

Sobreviver não é viver. Ao menos eu quero viver. Agora, o questionamento ao qual me submeto é onde fica a soberania que emana do povo para o Estado governar, quando o povo não quer mais entregar seu poder a políticos que sabemos só representar a si mesmos? O Estado é legítimo quando tantas pessoas escolhem não escolher?! É... O mundo como conhecemos é decadente, e cheira a podridão. Está em ruínas. Por fim, Democracia é o sistema que se estabelece a partir do voto.

O povo votou. E decidiu votar em Ninguém.



Ver:
https://www.eleicoes2016.com.br/candidatos-prefeito-rio-janeiro/