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É engraçado. Sempre que eu me sinto meio esgotada criativamente, volto a esse blog e tento me encontrar. É como diz ma girl Amy Lee, here in the darkness I know myself. E aqui estou eu, em mais um dezembro esgotado e esperançoso, para tentar me reencontrar outra vez. Dessa vez, perdi os primeiros quatro dias do mês porque estava trabalhando muito (Fernanda de 2010, quem diria que você não ia ter tempo de ficar de boas na internet, usando o ócio criativo pra criar histórias. Saudade desse tempo, mas ao menos hoje em dia eu tenho dinheiro para COMPRAR TUDO QUE QUERO E INVESTIR NA BOLSA E NÃO ACHAR QUE VOU MORRER DE FOME SEMANA QUE VEM KKKK).
Bem, voltando ao ócio criativo, não o tenho mais. Com todos os serviços que estou pegando e com tudo que estou fazendo para sobreviver neste mundo capitalista, o ócio criativo deu espaço a uma cobrança diária e excessiva e urgente. Só tenho uma quantidade específica de horas no dia para fazer o que preciso, e a conectividade acaba roubando meu tempo de fazer nada e pensar. Aliás, essa urgência também está na idade. Quando comecei esse blog, tinha 18 anos e nenhuma responsabilidade. Hoje, com 29, 30 está batendo na porta, as responsabilidades da idade começam a pesar e o ócio criativo se desfaz. Falta espaço para mergulhar no mais profundo escuro da minha criatividade e sobra "preciso sair daqui, preciso de mais renda, preciso estudar mais, preciso investir mais nisso aqui esse mês, preciso chegar aos 500 mil logo, preciso parar de usar meu tempo com futilidades". Só que por futilidade, eu começo a entender meu tempo de escrever. O que era uma paixão se transformou em uma FUTILIDADE. Ócio se transformou em Ódio. Criatividade se transformou em frustração. Idade me transformou em uma velha chata antes do tempo kk.
Mas acho que as obrigações da vida adulta não foram as únicas coisas que mataram minha criatividade. Uma vez, criei uma esperança sobre um convite para um livro, achei que aconteceria, mas escolheram outra pessoa. Foi triste. Outra vez, vi pessoas desonestas plagiando plots originais para criar as próprias histórias, vendendo isso e se vangloriando como se fossem gênias. E o pior, essas pessoas foram celebradas. Foi desanimador. Depois, uma garota me deu uma carteirada e me humilhou com mensagens de áudio gigantescas falando sobre o quanto eu era burra e o quanto eu não sabia escrever e precisava de ajuda. Foi revoltante. Principalmente porque ela disse que "narrador observador é o personagem que observa muito as coisas". E eu sou a burra que não entende nada de escrever. But, who cares? Aí, depois de tudo isso, percebi que passei quatro anos escrevendo por trás do pseudônimo e recebi inúmeros "frankly, my dear, I don't give a damn". Usei todo o meu tempo, minha saúde mental e física, matei minha vida social, perdi amigos e contatos e até a vontade de viver. Foi destruidor. Mas, é isso. Paciência. Quando voltar a escrever, vou me certificar de que a autora sou eu, e que eu sou o rosto das minhas ideias, das minhas palavras, da minha arte.
UAU. Esse desabafo me ajudou muito. KKKKKKKKKKK
ENFIM
Nesse mês, depois de mais um ano de merda, vou juntar aqui todos os dias alguma coisa que me ajude a criar coisas novas e escrever meus próprios projetos. YEAH, BABY. I'M READY.
FM.