'
Dentro de tudo quanto eu poderia sonhar em encontrar hoje, uma coisa me fugiu os planos que tinha na mente. Foi tanto quanto minha mente suportou lembrar, e me trouxe paz. Uma sensação que me faz leve... Como uma criança. Talvez eu nem lembrasse como era, mas me aconteceu. Um momento nostálgico depois de um dia regado à lágrimas silenciosas.
Eu via rostos familiares, em minha visão do passado. Por mais que desgastados pelo tempo no qual ficaram mergulhados, pareciam vivos outra vez. Faces que me diziam sua expressão com olhos infantis. Haviam estrelas e planetas no teto daquela sala. Pessoas caminhavam ali, maravilhadas com a decoração daquele planetário.
Entre tantos corpos celestes havia um que me chamava a atenção. Naquele tempo plutão ainda era um planeta. Pequeno entre os tantos outros espalhados pelo teto, bolas de isopor pintadas por nossas mãos. Uma pequena bola de isopor. E sempre me chamou atenção sua delicadeza revestida de azul.
Dois dias apresentando a formação de Vênus, mas era de Plutão que eu gostava. Plutão tinha um encanto diferente aos meus olhos. Pequeno, misterioso, escuro... O mais distante do sol. Não tinha vida, como a Terra. Não tinha o brilho de Vênus. Não tinha a grandeza de Júpiter, nem os anéis de saturno.
Mas possuía um mistério particular, e isso me inebriava. Sempre gostei de observar o céu a noite e imaginar o infinito no qual estamos mergulhados. Já me imaginei tão longe quanto Plutão.
E minha reflexão de criança voltou à tona.
Sem vida. Sem brilho. Pequeno e feio. Desprezado. Mas plutão continua lá, em sua órbita, placidamente girando ao redor do sol, como todos os outros. Como todos os grandes e belos, continua ali. Na escuridão de sua distância, permanece queito. Quem sabe esperando a vez de poder mostrar sua força.
Mas eu era criança... E plutão era um planeta. Não mais.
Quem sabe esse pequeno ex-planeta um dia não mostra a todos os que o desprezam do que ele é capaz?
Nunca se sabe... Afinal, o futuro é um mistério tão infinito quanto o céu.
FM.
Stars on the Floor. 2ª parte.
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
16:13
terça-feira, 27 de julho de 2010
Estrelas no chão. 2ª parte.
Retornava ao seu mundo, ela chorava
Colidia com o chão e se partia
E deixava seu suspiro, sumia
Voltava a realidade e acordava...
Sophie respirava e caminhava pelo desconhecido. No controle débio de suas mãos errantes, ela refletia. Fitava a si mesma pela matiz da lua que morria lentamente no horizonte. Apagava a si mesma por completo, tudo o que fora antes. Sophie erguia-se dos sonhos mortos restituída de sua vida. Em seus olhos haviam as réstias de luz que denunciavam uma nova esperança e um sorriso brotava lento em seus lábios.
Durante o crepúsculo matutino a vida de Sophie sofria uma epifania. Ela não desistiria até que a vida se esvaisse de suas veias. Neste momento o sol rastejava no horizonte, acordando. Espalhava seu calor nascente pela névoa fria que cobrira a longa noite em Sophie. Iluminava sua face e mostrava um traço de coragem em sua expressão. Marcas da força que a erguia das sombras. E as estrelas se rendiam ao brilho em toda ela, cadentes. Descendo pelo céu, felizes enfim... Davam lugar a Sophie, deitando-se sobre o chão.
Todo o ódio que antes não poderia ser medido pelo conhecimento humano desmoronou. Altas paredes de concreto se quebraram e foram levadas pelo vento e pela luz daquele lugar. E uma grama verde tomou conta do cinza do solo. O vigor da luz não se abalava pelas poucas nuvens que manchavam o firmamento e a brisa acariciava os cabelos de Sophie.
Neste momento, o medo a abandonou. A escuridão se esvaeceu por completo. O amanhecer quebrou o silêncio dentro de seu coração e desprendeu o timbre suave daquele anjo. Ela sabia que todo o tempo no qual passara esquecida era mínimo perto daqueles segundos onde ela sentia a vida em toda a sua intensidade. Haviam marcas em seu coração, nada seria realmente esquecido, mas seu sorriso resplandecia a paz da felicidade plena.
Quando seu coração permaneceu escondido, seus olhos estavam cegos. Sua voz não produzia as palavras que ela queria pronunciar. Mas aquilo agora era deixado para trás. As lágrimas secas em seu semblante representavam a felicidade, pois é certo que ela só se faz inteira na virtude dos que choram, que buscam sem cessar. O sol da manhã rastejava naquele lugar trazendo um novo sopro de vida em seu caminhar. Sophie fugiria de seu passado, daquele filme de horror. Havia um fio de luz que a guiaria através do desespero e a levaria em direção ao sol.
Ela se libertava entre os rastros de luz num vôo sem fim, placidamente. Seu corpo e sua mente gritavam a glória e ela sorria insistentemente, para sempre e sempre. Embalsamada pelo tempo, pela esperança...
Porque mesmo que tristezas percorram sua mente, mesmo que o desespero corroa suas alegrias, o sol sempre nascerá outra vez... Noites frias se tornarão dia, as estrelas se renderão ao brilho de seu sorriso e se espalharão pelo chão. Tudo passará; Tudo passa. Tudo na vida é temporário.
Agora ela estava feliz, finalmente feliz.
The End.
FM.
Retornava ao seu mundo, ela chorava
Colidia com o chão e se partia
E deixava seu suspiro, sumia
Voltava a realidade e acordava...
Sophie respirava e caminhava pelo desconhecido. No controle débio de suas mãos errantes, ela refletia. Fitava a si mesma pela matiz da lua que morria lentamente no horizonte. Apagava a si mesma por completo, tudo o que fora antes. Sophie erguia-se dos sonhos mortos restituída de sua vida. Em seus olhos haviam as réstias de luz que denunciavam uma nova esperança e um sorriso brotava lento em seus lábios.
Durante o crepúsculo matutino a vida de Sophie sofria uma epifania. Ela não desistiria até que a vida se esvaisse de suas veias. Neste momento o sol rastejava no horizonte, acordando. Espalhava seu calor nascente pela névoa fria que cobrira a longa noite em Sophie. Iluminava sua face e mostrava um traço de coragem em sua expressão. Marcas da força que a erguia das sombras. E as estrelas se rendiam ao brilho em toda ela, cadentes. Descendo pelo céu, felizes enfim... Davam lugar a Sophie, deitando-se sobre o chão.
Todo o ódio que antes não poderia ser medido pelo conhecimento humano desmoronou. Altas paredes de concreto se quebraram e foram levadas pelo vento e pela luz daquele lugar. E uma grama verde tomou conta do cinza do solo. O vigor da luz não se abalava pelas poucas nuvens que manchavam o firmamento e a brisa acariciava os cabelos de Sophie.
Neste momento, o medo a abandonou. A escuridão se esvaeceu por completo. O amanhecer quebrou o silêncio dentro de seu coração e desprendeu o timbre suave daquele anjo. Ela sabia que todo o tempo no qual passara esquecida era mínimo perto daqueles segundos onde ela sentia a vida em toda a sua intensidade. Haviam marcas em seu coração, nada seria realmente esquecido, mas seu sorriso resplandecia a paz da felicidade plena.
Quando seu coração permaneceu escondido, seus olhos estavam cegos. Sua voz não produzia as palavras que ela queria pronunciar. Mas aquilo agora era deixado para trás. As lágrimas secas em seu semblante representavam a felicidade, pois é certo que ela só se faz inteira na virtude dos que choram, que buscam sem cessar. O sol da manhã rastejava naquele lugar trazendo um novo sopro de vida em seu caminhar. Sophie fugiria de seu passado, daquele filme de horror. Havia um fio de luz que a guiaria através do desespero e a levaria em direção ao sol.
Ela se libertava entre os rastros de luz num vôo sem fim, placidamente. Seu corpo e sua mente gritavam a glória e ela sorria insistentemente, para sempre e sempre. Embalsamada pelo tempo, pela esperança...
Porque mesmo que tristezas percorram sua mente, mesmo que o desespero corroa suas alegrias, o sol sempre nascerá outra vez... Noites frias se tornarão dia, as estrelas se renderão ao brilho de seu sorriso e se espalharão pelo chão. Tudo passará; Tudo passa. Tudo na vida é temporário.
Agora ela estava feliz, finalmente feliz.
The End.
FM.
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