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Dentro de tudo quanto eu poderia sonhar em encontrar hoje, uma coisa me fugiu os planos que tinha na mente. Foi tanto quanto minha mente suportou lembrar, e me trouxe paz. Uma sensação que me faz leve... Como uma criança. Talvez eu nem lembrasse como era, mas me aconteceu. Um momento nostálgico depois de um dia regado à lágrimas silenciosas.
Eu via rostos familiares, em minha visão do passado. Por mais que desgastados pelo tempo no qual ficaram mergulhados, pareciam vivos outra vez. Faces que me diziam sua expressão com olhos infantis. Haviam estrelas e planetas no teto daquela sala. Pessoas caminhavam ali, maravilhadas com a decoração daquele planetário.
Entre tantos corpos celestes havia um que me chamava a atenção. Naquele tempo plutão ainda era um planeta. Pequeno entre os tantos outros espalhados pelo teto, bolas de isopor pintadas por nossas mãos. Uma pequena bola de isopor. E sempre me chamou atenção sua delicadeza revestida de azul.
Dois dias apresentando a formação de Vênus, mas era de Plutão que eu gostava. Plutão tinha um encanto diferente aos meus olhos. Pequeno, misterioso, escuro... O mais distante do sol. Não tinha vida, como a Terra. Não tinha o brilho de Vênus. Não tinha a grandeza de Júpiter, nem os anéis de saturno.
Mas possuía um mistério particular, e isso me inebriava. Sempre gostei de observar o céu a noite e imaginar o infinito no qual estamos mergulhados. Já me imaginei tão longe quanto Plutão.
E minha reflexão de criança voltou à tona.
Sem vida. Sem brilho. Pequeno e feio. Desprezado. Mas plutão continua lá, em sua órbita, placidamente girando ao redor do sol, como todos os outros. Como todos os grandes e belos, continua ali. Na escuridão de sua distância, permanece queito. Quem sabe esperando a vez de poder mostrar sua força.
Mas eu era criança... E plutão era um planeta. Não mais.
Quem sabe esse pequeno ex-planeta um dia não mostra a todos os que o desprezam do que ele é capaz?
Nunca se sabe... Afinal, o futuro é um mistério tão infinito quanto o céu.
FM.
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