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"Saiba que, quando você apaga as luzes, as estrelas ficam mais cintilantes."
Ontem à noite, admirei a lua por alguns instantes, poucos segundos. Em todo o seu esplendor de estado, ela iluminava a escuridão da noite e e trazia algumas lembranças.
Aquela noite de Novembro era habitualmente quente, mas o vento que corría ali era frio e acariciava as paredes por onde se espalhava. Na minha caminhada de volta à minha casa eu apreciava a noite e o céu. Inspirava aquele ar, já sabendo o que me aguardava dali a algum tempo. E eu mirei a lua. Cheia. Cheia como ontem. Uma aura leitosa em volta daquele astro era a representação de toda a luz que o sol refletia.
E eu a olhava, naquela noite, como ontem, para as estrelas que brilhavam timidamente, como entristecidas por não conseguirem se igualar a lua. Me entristeci. Sim, era um sopro de lucidez em meio ao meu êxtase de estar ali. O fogo que queimava em minha memória e me fazia lembrar daquela noite de novembro se apagou no momento em que minha consciência gritou que novembro não voltaria, nada do que eu tinha seria meu novamente.
E veio a escuridão. Um estado de ausência de luz. Tão seguramente impenetrável e tão tangível pelo tempo. E meus olhos se desarmaram. Senti medo. Um medo que me corroeu durante uma tempestade de tempo e que voltou naquele momento. Algo que me impedia de falar à plena voz. Senti medo de me perder novamente, de perder novamente.
Porque eu ja perdi tudo. E eu sei que nada dura para sempre. Mas meu coração já se machucou demais para perder os pedaços que eu consegui restituir. Por isso eu desisti de sentir. Dentro da escuridão eu me senti acolhida. Mas a lua teimava em refletir um brilho leitoso sobre mim.
E eu reparei, no momento em que minha cabeça repousou sobre o travesseiro, que a escuridão não existe por si mesma. Afinal, ao ser atingida pela luz, deixa de existir e revela as matizes, os tons, as cores que existem ao redor da sombra morta.
E minhas teorias cairam mais uma vez. Como uma luz na escuridão em que eu estava mergulhada, eu compreendi que posso criar as luzes que mostrarão as cores vindas de mim. É como se eu pudesse valsar, rodopiando num salão cheio de vitrais com imagens do meu passado. Em sua plenitude de cores, vivas como eu. E nada poderia me tocar, somente as cores.
E ao som de uma música, a história da minha vida se desenrolaria em vivas notas e vozes. Teria sabores e cheiros, todos os sentidos humanos. Eu sentiria os arrepios e aquela sensação de liberdade. Ouviria as risadas e lá no alto, nos vitrais, eu enxergaria a mim mesma e diria que fui iluminada pelo sabor de ter vivido intensamente. E não me arrependeria.
E a escuridão se iluminaria, a noite caminharia assim, para sempre.
Sorri. Adormeci. Acordei hoje pela manhã e agora posto mais um devaneio meu, como tantos outros que já escrevi.
FM.
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