Espirais

terça-feira, 25 de outubro de 2011
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Espirais de Fumaça subiam pelo ar. As luzes do quarto estavam apagadas e a madrugada já morria, à medida em que o céu tomava tons mais suaves de azul. O mundo dava voltas e voltas ao redor de si, e tudo parecia permanecer igual. Todas as memórias se extinguiam. Enquanto se cultivava a tristeza, o ódio crescia por dentro, infectando tudo o que ele amava.

Não havia ruído além do próprio descompassado som de sua respiração. Parecia impróprio, mas ele julgou ser a melhor maneira de começar seu dia. Enquanto a noite caminhava para o fim, ele divisava o horizonte e se perguntava se tudo terminaria assim. O vento e a madrugada iriam mesmo engolir as últimas faíscas de sua voz, e nada restaria, nem um último suspiro para abandonar a tudo.

Seus olhos deixavam um brilho perdido e difuso. Uma mentira morta e alguns fragmentos de memória para contar como tudo aconteceu. Ele conhecia sua dor, conhecia suas marcas, e não ousava subestimar a história de ninguém. Aquele era um coração errante de mãos cansadas e olheiras profundas.

Ele sabia que linhas de esquecimento eram semelhantes às espirais de fumaça que subiam pelo ar, circulando o céu até desaparecerem para sempre. E tudo começava numa cor tão viva e sóbria e intensa e violenta. Num movimento de sensações as quais ele nunca soube distinguir. Não que tudo não passasse de uma mentira, apenas isso. Ou que não fosse apenas um novo modo de perder a cabeça, para sonhar com novas ilusões, aquelas espirais de pensamentos poderiam virar sua história, lembranças desprezadas por um simples não. Nunca era o bastante.

Seus dedos se perderam no nunca e por sua pele um formigamento estranho se espalhou. Era o sol que se estendia pela linha do horizonte, sim, estava acabado. Ao que o formigamento se transformava difusamente em pequenos choques elétricos, seu lábio produziu um ofego seco. E as espirais de fumaça ainda subiam pelo ar.

As nuvens, brancas e tranquilas, escorriam pelo firmamento, limpando-o de uma forma cruel. Os choques elétricos logo se transformaram em uma corrente contínua de eletricidade sobre sua pele, fazendo-a morrer; em seu último suspiro ele pôde ver espirais de suas últimas lembranças, de seu último desejo.

Ninguém nunca poderia escutar sua dor, ninguém nunca poderia consertar seu coração partido, sua mente cicatrizada. Em seus únicos sonhos antigos, havia uma promessa de um novo dia. Mas a chance havia sido perdida. E o sol reinou no céu daquele início de manhã.

Com uma densa, nascente e crescente fumaça espiralada ao redor do que havia sido antes mais um a caminhar em direção ao sol, numa busca infinda de sua própria felicidade. Haviam espirais de fumaça ao redor. Cada vez mais fracas, torpes, frágeis, extintas. Assim como qualquer lembrança que um dia guardou em seu coração.

***
Pense nisso. Quantas lembranças boas você deixou morrer em troca de um sentimento ruim? Quantas vezes te fez bem cultivar o sofrimento mudo? Eu sou da corrente do..

Ainda há tempo 
feche seus olhos 
só o amor pode guia-lo pra casa
Então derrube suas paredes e liberte sua alma, até colidirmos nessa espiral... 
Eu sou tudo aquilo que você não pode controlar
Em algum lugar além da dor 
deve haver uma maneira de aprender a perdoar.
Em algum lugar além da dor 
deve haver uma maneira de acreditar que podemos romper.


WHAT YOU WANT - EVANESCENCE
FM.

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