'
Embalada pela melodia, Sophie continuava em sua eterna caminhada dentro da escuridão. Dentro de seu medo. Lá em suas entranhas, o ódio corroendo com seu veneno. Seus passos eram mudos, seus lábios permaneciam costurados com a linha do silêncio. Suas mãos fluiam pelo vento, em torno dos dedos, em torno da pele cicatrizada.
A chuva parou de cair.
E assim suas lágrimas paravam. Seus olhos subiam pelo céu, ela sentia-se voar. Mais uma vez, dentro de sua fuga, ela voava. Como em seus sonhos, seus pulmões enchiam de ar de maneira tão violenta a quase o corpo não suportar. Sua face recebia rajadas de um ar denso e instável, seus cabelos fizeram suas feições abandonarem o esconderijo. Olhava o chão, não havia nada além de algumas vozes distorcidas. O céu rompia em nuvens que ela jamais vira.
Não havia alegria. Apenas medo.
Por mais que seu maior sonho fosse voar. Sabia que era necessário, impreciso. Ela queria voar. Correntes a prendiam num vôo solitário, Mantinham sua liberdade retalhada, pela metade. Tudo em sua vida era uma metade. Até sua vida era uma metade.
Sentia-se mal, pela metade.
Com um bloqueio sufocante em sua garganta, seu vôo falhou. Suas pequenas e frágeis asas partiam-se em pedaços. Ela deixava que todo o horror da tempestade enevoar sua mente novamente. Ela falou mais do que devia. Sophie não falou o suficiente.
FM.
Receita de um Bolo Especial
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
10:06
' Da série: Menos Você
Ingredientes:
Ingredientes:
. 250 g de Mentira meio amarga picada (da Marca Lies)
. 1 xícara (chá) de Hipocrisia (da Marca Lies)
. 4 colheres de sopa de Falsidade (da Marca Lies)
. 1 xícara (chá) de Corrupção
. 3 xícara (chá) de Arrogância
. Desrespeito fresco a gosto
. 1 xícara (chá) de Hipocrisia (da Marca Lies)
. 4 colheres de sopa de Falsidade (da Marca Lies)
. 1 xícara (chá) de Corrupção
. 3 xícara (chá) de Arrogância
. Desrespeito fresco a gosto
Cobertura:
. 1 xícara (chá) de cerveja Kaiser
. 4 garrafas de cachaça (da marca Pitu)
. 1 xícara (chá) de whisk falsificado
. 1 xícara (chá) de vodka falsificada
. Mentira meio amarga (da Marca Lies) a gosto
. 4 garrafas de cachaça (da marca Pitu)
. 1 xícara (chá) de whisk falsificado
. 1 xícara (chá) de vodka falsificada
. Mentira meio amarga (da Marca Lies) a gosto
Modo de preparo:
Aqueça a cabeça em temperatura alta com a cachaça, a Vodka e o Whisk. À parte, misture a Falsidade e a Mentira meio amarga em banho-maria em um refratário, até derretê-los numa mistura homogênea. Bata a Arrogância com a Corrupção e a Hipocrisia até sua cara ficar lisa (Cuidado, nessa hora resista ao impulso de untar seu rosto com Óleo de Peroba, não fica muito bom na mistura.). Junte aos poucos as misturas e mexa nas feridas que provocar, sem parar. Distribua a massa entre forminhas pequenas e distribua o Desrespeito pelas forminhas, povilhando. Asse no forno alto por alguns minutos. Retire e sirva a todos imediatamente, decorando os bolinhos com Mentira meio amarga Lies.
Agora delicie todos a sua volta com o melhor que você tem a oferecer. Outra dica, pra melhorar tudo, é servir com Cerveja Kaiser.
Este foi: Serviço de Utilidade Pública. Menos Você.
Um oferecimento:
ADDGP - Associação dos doentes por Dinheiro, Ganância e Poder. "Sua desgraça é a nossa alegria!"
Lies* - "Contaminando você desde o início dos tempos!"
Pitú - "Sabemos que frutos do mar não tem nada a ver com cachaça, mas você nem liga!"
Kaiser - "...Porque nem toda cerveja alemã é boa."
Ps.: Não repita essa receita em casa sem a supervisão de um hipócrita. Esta receita é de nível de dificuldade LEVEL EXPERT. Coisa feita por profissionais. Esses Bolinhos tem tarja preta e podem causar dependência.
*Marca criada pelo Evanescence Productions and Corporations.
*Marca criada pelo Evanescence Productions and Corporations.
FM.
Uma viagem nada convencional
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
19:12
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
'
"Jesus, agora é com você."
Foi a frase mais dita por mim na última terça feira. Foi o dia mais hardcore do ano. Tipo, eu tomei café na UERN, fiz a prova mais facilitada da minha vida, almocei em Santa Maria, passei a tarde num cartório, fiz compras no Midway, jantei no Habib's e dormi "belíssima" na minha cama. Tenha noção de quanta coisa aconteceu. Foi tipo vertiginoso, tanto quanto a velocidade do carro na estrada; Me lembrem de nunca mais viajar com Felipe. Nunca mais. Deus me livre e guarde.
Bom, pra começar... Ah é, a prova de administrativo lindo. HOHO. Consultada. Linda. Tomara que minha nota seja tão boa quanto a facilidade que a gente teve. Obrigada Italo R. O melhor professor ever. (hehehehehe)
Depois a viagem. Cara, eu já ouvi falar em gente doida, mas com Felipe no volante... A insanidade toma um novo significado. Que porra é aquela?! Quando o ponteiro da velocidade chegava a 160 km/h e continuava a descer, eu fechava os olhos e repetia: "Jesus, agora é com você."
Eu colocava minhas músicas preferidas pra tocar nos fones de ouvido me despedindo de cada uma. No meio do caminho eu até pensei em escrever uma carta póstuma explicitando meus últimos desejos, pra quando encontrassem os destroços do carro. Sério. Era muito rápido. Tinha muitas ultrapassagens e o carro quase levantava voo nos altos de ladeiras.
Foi hardcore.
Outra. O que será que se passa na cabeça dos flanelinhas que vendem saquinhos de eucalipto pra dar cheiro ao carro? Que idioma será que eles falam? É tão difícil entender uma frase como: "Não, não quero. Já tenho um aromatizador no carro. Não estou precisando. Sério, homem, não quero. Não, não."
Sério mesmo que você não entendeu isso e continua me empurrando essa droga de saquinho. ¬¬ Nem imagino como aquilo pode funcionar. Sei lá, pelo menos foi um tempinho longe da velocidade vertiginosa com a qual a gente viajou. Em duas horas, ou menos, estávamos na Hermes da Fonseca, na loja da Tim.
ATÉ NA LOJA DA TIM O ATENDIMENTO É COMPLICADO. Primeiro que não era na loja que nós fomos, aí fomos a outra loja (no Midway) e esperamos por volta de UMA HORA, até chegar o atendimento. Pelo menos deu certo. O único problema dessa passagem é que agora Jéssica acha que eu inventei que tenho uma mãe e mamãe acha que eu criei uma amiga chamada Jéssica pra passear pelo shopping. Nas duas hipóteses eu sou esquizofrênica.
Ah, eu quase esqueci. Nas palavras de Felipe, a visão de mamãe entrando no shopping merecia uma foto com a seguinte legenda: "Um jumento desembestado." E eu não tive nada a ver com isso, foram palavras de Felipe. Eu só concordei (acho que exageradamente, mas só concordei).
Felipe era o gordinho na fábrica de chocolates do Willi wonka. Tenho a sensação de que ele podia morar na praça de alimentação do shopping. É o habitat natural da espécie dele, sem esquecer do Game Station, que era o paraíso cheio de luzinhas piscando e maquininhas fazendo barulhinhos.
No fim do dia, vi Malu maninha. Fiquei morrendo de saudade dela, já. Quase chorei no elevador, pra ir embora. E na volta pra casa: "Jesus, agora é com você!"
Bom... Foi meu dia. Hardcore. hehe
FM.
"Jesus, agora é com você."
Foi a frase mais dita por mim na última terça feira. Foi o dia mais hardcore do ano. Tipo, eu tomei café na UERN, fiz a prova mais facilitada da minha vida, almocei em Santa Maria, passei a tarde num cartório, fiz compras no Midway, jantei no Habib's e dormi "belíssima" na minha cama. Tenha noção de quanta coisa aconteceu. Foi tipo vertiginoso, tanto quanto a velocidade do carro na estrada; Me lembrem de nunca mais viajar com Felipe. Nunca mais. Deus me livre e guarde.
Bom, pra começar... Ah é, a prova de administrativo lindo. HOHO. Consultada. Linda. Tomara que minha nota seja tão boa quanto a facilidade que a gente teve. Obrigada Italo R. O melhor professor ever. (hehehehehe)
Depois a viagem. Cara, eu já ouvi falar em gente doida, mas com Felipe no volante... A insanidade toma um novo significado. Que porra é aquela?! Quando o ponteiro da velocidade chegava a 160 km/h e continuava a descer, eu fechava os olhos e repetia: "Jesus, agora é com você."
Eu colocava minhas músicas preferidas pra tocar nos fones de ouvido me despedindo de cada uma. No meio do caminho eu até pensei em escrever uma carta póstuma explicitando meus últimos desejos, pra quando encontrassem os destroços do carro. Sério. Era muito rápido. Tinha muitas ultrapassagens e o carro quase levantava voo nos altos de ladeiras.
Foi hardcore.
Outra. O que será que se passa na cabeça dos flanelinhas que vendem saquinhos de eucalipto pra dar cheiro ao carro? Que idioma será que eles falam? É tão difícil entender uma frase como: "Não, não quero. Já tenho um aromatizador no carro. Não estou precisando. Sério, homem, não quero. Não, não."
Sério mesmo que você não entendeu isso e continua me empurrando essa droga de saquinho. ¬¬ Nem imagino como aquilo pode funcionar. Sei lá, pelo menos foi um tempinho longe da velocidade vertiginosa com a qual a gente viajou. Em duas horas, ou menos, estávamos na Hermes da Fonseca, na loja da Tim.
ATÉ NA LOJA DA TIM O ATENDIMENTO É COMPLICADO. Primeiro que não era na loja que nós fomos, aí fomos a outra loja (no Midway) e esperamos por volta de UMA HORA, até chegar o atendimento. Pelo menos deu certo. O único problema dessa passagem é que agora Jéssica acha que eu inventei que tenho uma mãe e mamãe acha que eu criei uma amiga chamada Jéssica pra passear pelo shopping. Nas duas hipóteses eu sou esquizofrênica.
Ah, eu quase esqueci. Nas palavras de Felipe, a visão de mamãe entrando no shopping merecia uma foto com a seguinte legenda: "Um jumento desembestado." E eu não tive nada a ver com isso, foram palavras de Felipe. Eu só concordei (acho que exageradamente, mas só concordei).
Felipe era o gordinho na fábrica de chocolates do Willi wonka. Tenho a sensação de que ele podia morar na praça de alimentação do shopping. É o habitat natural da espécie dele, sem esquecer do Game Station, que era o paraíso cheio de luzinhas piscando e maquininhas fazendo barulhinhos.
No fim do dia, vi Malu maninha. Fiquei morrendo de saudade dela, já. Quase chorei no elevador, pra ir embora. E na volta pra casa: "Jesus, agora é com você!"
Bom... Foi meu dia. Hardcore. hehe
FM.
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Dulcedo ineffabilis,
Totus desiderabilis.
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