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Embalada pela melodia, Sophie continuava em sua eterna caminhada dentro da escuridão. Dentro de seu medo. Lá em suas entranhas, o ódio corroendo com seu veneno. Seus passos eram mudos, seus lábios permaneciam costurados com a linha do silêncio. Suas mãos fluiam pelo vento, em torno dos dedos, em torno da pele cicatrizada.
A chuva parou de cair.
E assim suas lágrimas paravam. Seus olhos subiam pelo céu, ela sentia-se voar. Mais uma vez, dentro de sua fuga, ela voava. Como em seus sonhos, seus pulmões enchiam de ar de maneira tão violenta a quase o corpo não suportar. Sua face recebia rajadas de um ar denso e instável, seus cabelos fizeram suas feições abandonarem o esconderijo. Olhava o chão, não havia nada além de algumas vozes distorcidas. O céu rompia em nuvens que ela jamais vira.
Não havia alegria. Apenas medo.
Por mais que seu maior sonho fosse voar. Sabia que era necessário, impreciso. Ela queria voar. Correntes a prendiam num vôo solitário, Mantinham sua liberdade retalhada, pela metade. Tudo em sua vida era uma metade. Até sua vida era uma metade.
Sentia-se mal, pela metade.
Com um bloqueio sufocante em sua garganta, seu vôo falhou. Suas pequenas e frágeis asas partiam-se em pedaços. Ela deixava que todo o horror da tempestade enevoar sua mente novamente. Ela falou mais do que devia. Sophie não falou o suficiente.
FM.
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Iesu, Rex admirabilis
Et triumphator nobilis,
Dulcedo ineffabilis,
Totus desiderabilis.
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