O som das gaivotas é
sempre igual
Elas circulam pelos céus
brilhantes
Aves que não viram a
estrela auroral
Voam entre névoa marinha e
sextantes
O Sol Eterno e inclemente banha a areia
Nessa cidade só existe o
alto dia
Do deserto, pela praia, o
porto, até a aldeia
Em que pisa o viajante,
com ousadia
Embarcações viajam no céu e no mar
Através do sargaço singram
as naus
Forasteiros narram mitos
de seu lar
No Dia Eterno os fantasmas suspiram
Horizontes lamentam suas
partidas
Marujos ectoplásmicos se
vingam
Espectros navegam em sua
maldição
Perpétuos cânticos de
almas perdidas
Sua sina, consequência da
lassidão
Destinos que segredam suas
ilíadas
A voz da sereia seduz
tripulações
Fascina o pirata de mãos
atadas
Enfeitiça as marés e traz
as monções
Sopra veneno nas bocas
tomadas
Infeliz! Rompeu a dor,
fugiu da morte
Está preso nos grilhões da
sirena
Em um navio fantasma,
entregue à sorte
Ingrata prisão sombria,
sua saudade
Singra esquecido em
melodias marítimas
Em busca do sol pela eternidade
Beijos salgados deitam no relento
Beijos salgados deitam no relento
Sussurro
atroz na espuma das ondas
A língua
ferina revela seu contento
Sereia
que entoa canções hediondas
E
solfeja: "Atrairei... Amarei... Beijarei..."
E contra
as pedras seu timbre retine
"No
zodíaco ecoarei... Você, eu levarei..."
Coração
amedrontado, se confine
Em sua boca a virtude ferverá
Suas
lágrimas a voz pérfida roubou
No
naufrágio sua alma repousará
Pirata
audaz, em suas sombras mergulhou
Forjou-se
cativo da ária nefasta
E o sol, na arca obscura o homem guardou
E o sol, na arca obscura o homem guardou
FM.



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