A Terra do Sol Eterno

quarta-feira, 23 de novembro de 2016
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O som das gaivotas é sempre igual
Elas circulam pelos céus brilhantes
Aves que não viram a estrela auroral
Voam entre névoa marinha e sextantes

O Sol Eterno e inclemente banha a areia
Nessa cidade só existe o alto dia
Do deserto, pela praia, o porto, até a aldeia
Em que pisa o viajante, com ousadia

Embarcações viajam no céu e no mar
Através do sargaço singram as naus
Forasteiros narram mitos de seu lar

No Dia Eterno os fantasmas suspiram
Horizontes lamentam suas partidas
Marujos ectoplásmicos se vingam

Espectros navegam em sua maldição
Perpétuos cânticos de almas perdidas
Sua sina, consequência da lassidão
Destinos que segredam suas ilíadas

A voz da sereia seduz tripulações
Fascina o pirata de mãos atadas
Enfeitiça as marés e traz as monções
Sopra veneno nas bocas tomadas

Infeliz! Rompeu a dor, fugiu da morte
Está preso nos grilhões da sirena
Em um navio fantasma, entregue à sorte

Ingrata prisão sombria, sua saudade
Singra esquecido em melodias marítimas
Em busca do sol pela eternidade

Beijos salgados deitam no relento
Sussurro atroz na espuma das ondas
A língua ferina revela seu contento
Sereia que entoa canções hediondas

E solfeja: "Atrairei... Amarei... Beijarei..."
E contra as pedras seu timbre retine
"No zodíaco ecoarei... Você, eu levarei..."
Coração amedrontado, se confine

Em sua boca a virtude ferverá
Suas lágrimas a voz pérfida roubou
No naufrágio sua alma repousará

Pirata audaz, em suas sombras mergulhou
Forjou-se cativo da ária nefasta
E o sol, na arca obscura o homem guardou

FM.


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