Prelude. 1.0

quinta-feira, 8 de setembro de 2011
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Por favor não me deixe sangrar para toda a eternidade.
Por favor não me deixe nessa agonia, pelos lábios da desonestidade.
As luzes do céu pintado de estrelas parecem desaparecer com seu olhar sombrio.
Num oceano profundo de mágoas e dor eu mergulhei.
Liberei minhas lágrimas de forma atormentada e silenciosa.
Hoje as velas incendeiam os lençóis nos quais me escondi.
Se uma adaga perfura insanamente minha carne, não há dor.
Só assim sinto que a morte em mim está.

Por favor não me deixe sangrar para toda a eternidade.
Por favor não me deixe nessa agonia, pelos lábios da desonestidade.
Esqueça a sensação das correntes de vento do mar.
Elas partiram para além da Terra, num lugar inatingível por suas mãos.
Libero minhas lágrimas de forma atormentada, silenciosa.
Arrastando as correntes de um aprisionamento fugaz.
Dentro de meus pedaços partidos se perdeu minha alma.
Se me olho no espelho, não me reconheço mais.

Por favor não me deixe sangrar para toda a eternidade.
Por favor não me deixe nessa agonia, pelos lábios da desonestidade.
Não há melodia em minha voz, nem timbre cristalino em meus ouvidos.
Meus pulmões não buscam ar e minhas mãos parecem frias demais.
Sem que haja outra escolha, alguma porta de escapatória.
Então libero minhas lágrimas de forma atormentada, silenciosa.
Sua inocência prendeu-me em grilhões imaginários.
E não deixo de sofrer, logo você verá em mim a morte transparecer.

Não me deixe... Pelos lábios da desonestidade.
Não me deixe... Por toda a eternidade.
...Por favor.

FM

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