New Way to Bleed - Parte 2

domingo, 6 de novembro de 2011
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Enquanto a noite se desbotava, caía pelos céus, até morrer. Seus passos sobre a areia pálida esvaeciam delicadamente, com a brisa cálida que soprava ali. E nada ao redor parecia igual. Porque frases ecoavam em seus pensamentos como uma tormenta rígida e brusca, reverberando uma agonia ainda presente em seus elos desfeitos pelo tempo.

"Nunca significou nada pra mim... A gravidade. Minha mente nunca vagou perto daqui."

Em seus desenhos feitos com carvão, nada sobrara. Tudo havia sido queimado por um fogo latente em suas memórias. Se desfazia. Aquela era sua nova forma de sangrar. Seus dedos se impulsionaram até as têmporas e o grito que soou de sua garganta implorava por um pouco de paz. Porque seus pesadelos pareciam mais vivos, seus medos pulsavam com veemência e a dor em seu corpo passara a ser insuportável, desde então.

"Prendi meu coração numa escuridão eterna. Pelos sonhos que deixei morrer."

Em todos os ecos, o silêncio era o mais forte, o mais presente, até restar em uníssono. Seus longos cabelos revestiam sua face e a protegia das lágrimas que anunciavam cair sobre seu semblante doente. Até o fim de tudo ela poderia cantar suas tragédias, mas nada seria tão forte quanto a dor que fragmentava sua alma.

"Precisei cavar sorrisos e viver com veias emprestadas, metade viva."

Escrava de sua necessidade mórbida de carregar o peso do mundo nos ombros. Uma nova maneira de sangrar se anunciava enquanto o céu desbotava. Uma nova maneira de cair.


"Até onde eu puder fingir minhas necessidades e tocar meu reflexo no espelho, verei tudo o que poderia acalentar minha dor diante das fragilidades internas. Preencher meus sentimentos adormecidos. Mas minha voz silencia, até o fim de tudo."

FM.

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