Sweet Sacrifice

domingo, 27 de novembro de 2011
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Só tentava salvaguardar sua própria vida. Seus anseios tão perdidos para continuar. Abaixo dos degraus de sua memória correntes de lágrimas caíam sem cessar. Escondidas. Fluíam pelo chão obscuro e morriam lentamente na areia, abaixo dos degraus. Seus pés castigados pelas pedras insistiam em caminhar arduamente, mesmo que o sangue brotasse de sua pele, manchando a palidez débil da epiderme fria que possuía.

Em sua voz havia marcas de sofrimento e perda. Um eterno nó que apertava sua garganta, machucando. Mas, de tudo o quanto podia controlar sua dor, o mais massacrante de seus fantasmas era o próprio medo. Coerente e vivo, bruxuleava lentamente por sua mente, por seu corpo, transformando seus pensamentos vazios em uma doença que fragilizava.

Pobre coisinha inocente. Conhecia a dor, conhecia o medo que pairava ao seu redor. Reconhecia a face de terror no espelho e se forçava a seguir, sorrindo. Estava tão claro o quanto ainda teria que sangrar, o quanto suas lágrimas ainda iriam rolar. O quanto suas correntes ainda retalhariam seus pulsos e tornozelos, o quanto aquela coisinha ainda se debateria na escuridão.

Aquele que ainda é tão fraco para sobreviver aos próprios erros odiará o dia no qual se encontrará com a real verdade.

E o ódio ainda descompassava seu coração, ao passo que as feridas reabriam e ardiam com o vento forte que carregava areia. Pobre coisinha inocente. Mal sabia que não era o único insano, mal controlava suas próprias emoções. Apenas se deixava levar e levava consigo as marcas de um sofrimento mudo. Enxugava algumas lágrimas que caíam e se preparava para as outras que viriam. Se deixava respirar ácido sulfúrico, ou era apenas ar. Um ar denso e pesado que continha todas as suas esperanças despedaçadas.

Lágrimas eram apenas água. Suspiros? São apenas ar.

Sonhava com a escuridão da noite abraçando seu silêncio, dormia para morrer sozinha, para esquecer sua dor. Pobre coisinha inocente. Apagou a própria vida em troca de uma paz inventada. Mais uma vez se enganou. Pobre coisinha inocente. Não é, querido? Apenas uma pobre coisinha inocente. Sem mais forças. Sem mais voz. Sem mais sequer vida.

Acorda no vazio, por um doce sacrifício. Abraça o silêncio e permanecerá além da morte. Enxuga os olhos e testemunha:

"Você sabe que vive para me destruir. Mas, num doce dia, eu esquecerei seu nome. Você vai se afogar na minha dor perdida. E eu irei sorrir."

FM.

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