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De volta à escuridão, ao lugar em que eu me conheço. De volta ao infinito mundo que eu criei. De volta a mim mesma, no momento em que eu preciso de mim. Porque eu me prendi na escuridão, por isso me tornei escuridão. Diante dos clarões de relâmpagos, Mozart me dá razão. Me dá a face da chuva que sinto falta... Daquele céu laranja noturno. Do vento incessantemente frio e úmido, e do ruído produzido pelas gotas. Na minha inocência infantil, de buscar para mim A Cruz e a Espada como música favorita.
No meio da chuva, eu via o céu branco do dia, e as gotas caíam. Sinto tanta falta do que sempre me é arrebatado pelo tempo. Sinto falta de correr no meio da lama, sozinha, por entre a cortina da chuva forte. Ainda sinto falta. Ainda me dói, como sempre doeu. Ainda me faz tanto mal quanto no dia em que meu mundo se transformou em memórias que ainda me assombram em meus sonhos.
Todos os anos, nessa época do ano, eu me sinto novamente mal por ter perdido o finito da realidade. Sobraram-me fragmentos. Martelam em meu pensamento quase todos os dias. Me impedem de achar que estou em casa, mesmo estando. Me impedem de criar sequer uma raiz. Meu sofrimento permanece. Nada acabou, apenas se transformou. Meu mundo ainda é o mesmo. Escuridão. Há chuva... Há branco. Há o barulho das calhas, e de A Cruz e a Espada. Os passarinhos ainda cantam para me acordar, e a brisa fria ainda congela meus dedos. O chão claro ainda conserva meu rolar por ele. Ainda posso enxergar a morte através da janela, pedindo-me ajuda.
Tudo não passa de memórias. Fantasmas que vão me seguir até o fim de minha vida. Ou até que eu consiga novamente me sentir... Chegando em casa. De volta à escuridão, ao lugar em que eu me conheço.
FM.
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