Vestígios de Algo Passado

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
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Num dia conseguiu chorar.
Para se convencer que tudo havia acabado.
Então respiraria sem medo.
Não trocaria sorrisos por agonia.
Nem esperança por ceticismo.
Afinal, tudo estava acabado.
Ou assim pensava.
Porque todas as feridas estavam abertas.
Por mais que estivesse cansada de chorá-las.
Embora elas nunca se fechassem, nunca se curassem.
Continuavam distantes.

Num dia, não queria chorar.
Não queria pensar que tudo estava acabado.
Respirava pesadamente, com medo.
Trocava sorrisos por agonia e medo.
Por lágrimas quentes que embalavam suas noites.
Tal qual seus dias solitários.
Ou assim pensava.
Cavava novas feridas, todos os dias.
E as chorava, enquanto a carne se abria.
Expelia lágrimas de sangue.
Elas nunca se fechariam, nunca se curariam.
Mas preferia continuar ali.

FM.

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