'
Eu não quero muito nesse natal
Só tem uma coisa que eu preciso
Eu não me importo se não há presentes em baixo da árvore de natal
Eu só quero você para mim
Mais do que você pode imaginar
Faça o meu desejo se realizar
Tudo que eu quero de natal é você
Eu não quero muito nesse natal, só tem uma coisa que eu preciso
Eu não me importo se não há presentes em baixo da árvore de
natal
Eu não preciso pendurar a minha meia na lareira
Papai Noel não vai me fazer feliz com um brinquedo no dia do natal
Eu só quero você para mim
Mais do que você pode imaginar
Faça o meu desejo se realizar
Tudo que eu quero de natal é você
Eu não vou pedir muito nesse natal
Eu não vou nem querer neve
Eu só vou ficar esperando debaixo dessa árvore
Eu não vou fazer uma lista de presentes e mandar para o pólo norte para S. Nicolau
Nem vou ficar acordado até tarde para ouvir os sininhos das renas
Porque eu só quero você aqui esta noite
Me segurando bem apertado
O que mais eu posso fazer
Oh baby tudo que eu quero de natal é você
Oh nossas vidas estão brilhando por todo o lado
E o barulho das risadas das crianças está pelo ar
E todo mundo está cantando, eu escuto aqueles sinos tocando
Eu não quero muito para esse natal
Isso é tudo que eu estou pedindo
Eu só quero ver meu amor parado na minha porta
Eu só quero você para mim
Mais do que você pode imaginar
Faça meu desejo se realizar
Tudo que eu quero de natal é você
Tudo o que quero é você
All I want for Christmas is you - My Chemical Romance
FM.
All I Want For Christmas Is You
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
18:13
domingo, 26 de dezembro de 2010
I don't Regret
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
15:41
'
They’re telling me they’re concerned for the way I am living
That I’ll miss it all why would I think that God is that trusting
I can’t explain all the words He has spoken to my heart
Why I’d want him more
And I don’t regret choosing you
And I’m not ashamed
That it’s you who holds my heart
Why do we think if we trust God too much He will fail us
Nothing has come when I chose that in me I’d trust
Separate me you have called out to follow you blindly
I won’t fear you’re leading me
And I don’t regret choosing you
And I’m not ashamed
That it’s you who holds my heart
You have shown my ever wandering heart what love is
What on earth is more important than to have all of you
And I don’t regret choosing you
And I’m not ashamed
That it’s you who holds my heart
My heart
FM.
They’re telling me they’re concerned for the way I am living
That I’ll miss it all why would I think that God is that trusting
I can’t explain all the words He has spoken to my heart
Why I’d want him more
And I don’t regret choosing you
And I’m not ashamed
That it’s you who holds my heart
Why do we think if we trust God too much He will fail us
Nothing has come when I chose that in me I’d trust
Separate me you have called out to follow you blindly
I won’t fear you’re leading me
And I don’t regret choosing you
And I’m not ashamed
That it’s you who holds my heart
You have shown my ever wandering heart what love is
What on earth is more important than to have all of you
And I don’t regret choosing you
And I’m not ashamed
That it’s you who holds my heart
My heart
FM.
Emily's Song - Acorde do Amanhecer
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
18:40
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
'
Era noite num mundo morto. Frio, calmo e sem sonhos. Por muito tempo, era noite naquele lugar. E alguém vagava entre os augúrios do vento constante no vazio. E não havia dor, só algumas lágrimas tão perdidas quanto seus pés, em um caminhar lento e relutante. Era apenas mais uma noite. O silêncio era interrompido pelo chamado de suas lágrimas eternas. Mas ela gritava por dentro, rompendo as barreiras de um amor que poderia ser visto através da morte.
Emily chorava. Pois eram as evidências de seu fim que a faziam começar. Seus dedos outrora ágeis e corados agora se preenchiam num azulado exangue. Seus olhos tinham um aspecto perdido, entristecido. E suas mãos buscaram, numa tentativa de sanar sua loucura, tocar a chama de uma vela. E não havia calor. Buscou uma adaga, se cortou. Mas em Emily não havia mais dor. Era verdade que a vida tinha partido, e que a morte nela estava. Mas ela não deixava de sofrer, e não demorou. Em seu rosto se viu lágrimas a rolar.
A presunção da morte era aterradora, como o amanhecer seria, ao ignorar Emily, perdida na escuridão. Pois ela não mais sentiria calor. Ficaria muito abaixo dos pesadelos e da solidão. Emily logo percebeu que sua respiração era inexistente e ela não sentia mais nada, a não ser seu vazio peculiar. Ela havia perdido seu caminho, mas nada empobreceria seu amor real, algo que ela deixara para trás, contra a vontade, de luto por ela. Todos os caminhos a levavam de volta à escuridão.
Emily repousava fria na Terra. Ela sussurrava, talvez assombrando algum lugar lá fora. Mas ela acreditava que seu amor a veria através da morte. Porém, ela repousava. E não havia espaço pra mais ninguém. Ela estava sozinha. Ou não. Seu amor dissera que não a abandonaria, ela não estaria sozinha. Mas ela estava sozinha.
Ela não estava sozinha. Haveria alguém sempre ao seu lado. Deitado ao seu lado numa felicidade silenciosa. E sua morte faria sentido, ou não. Quem poderia lhe dizer? Se ela tocasse uma vela, não sentiria dor, isso era irreal. Tanto fazia o frio ou o calor, pois seu corpo não sentia mais. Seu coração estava despedaçado, mesmo que parado. A morte nela estava, mas Emily ainda teria muitas lágrimas para dar.
Enquanto isso suas dúvidas a corroiam, numa caminhada lenta e relutante, através das sombras que escondiam o acorde do amanhecer, que trazia suas respostas.
Quando toco a vela acesa, falta seu calor
Se me corto com uma faca não há dor
É verdade que ela vive e que a morte em mim está
Mas não deixo de sofrer
Não demora vai se ver no meu rosto uma lágrima rolar
Quando toco a vela acesa eu não sinto dor
Tanto faz se estou no frio ou no calor
O meu coração não bate mas ainda assim se parte
E não deixa de sofrer recusando se render
A morte em mim está mas ainda tenho lágrimas pra dar
FM.
Era noite num mundo morto. Frio, calmo e sem sonhos. Por muito tempo, era noite naquele lugar. E alguém vagava entre os augúrios do vento constante no vazio. E não havia dor, só algumas lágrimas tão perdidas quanto seus pés, em um caminhar lento e relutante. Era apenas mais uma noite. O silêncio era interrompido pelo chamado de suas lágrimas eternas. Mas ela gritava por dentro, rompendo as barreiras de um amor que poderia ser visto através da morte.
Emily chorava. Pois eram as evidências de seu fim que a faziam começar. Seus dedos outrora ágeis e corados agora se preenchiam num azulado exangue. Seus olhos tinham um aspecto perdido, entristecido. E suas mãos buscaram, numa tentativa de sanar sua loucura, tocar a chama de uma vela. E não havia calor. Buscou uma adaga, se cortou. Mas em Emily não havia mais dor. Era verdade que a vida tinha partido, e que a morte nela estava. Mas ela não deixava de sofrer, e não demorou. Em seu rosto se viu lágrimas a rolar.
A presunção da morte era aterradora, como o amanhecer seria, ao ignorar Emily, perdida na escuridão. Pois ela não mais sentiria calor. Ficaria muito abaixo dos pesadelos e da solidão. Emily logo percebeu que sua respiração era inexistente e ela não sentia mais nada, a não ser seu vazio peculiar. Ela havia perdido seu caminho, mas nada empobreceria seu amor real, algo que ela deixara para trás, contra a vontade, de luto por ela. Todos os caminhos a levavam de volta à escuridão.
Emily repousava fria na Terra. Ela sussurrava, talvez assombrando algum lugar lá fora. Mas ela acreditava que seu amor a veria através da morte. Porém, ela repousava. E não havia espaço pra mais ninguém. Ela estava sozinha. Ou não. Seu amor dissera que não a abandonaria, ela não estaria sozinha. Mas ela estava sozinha.
Ela não estava sozinha. Haveria alguém sempre ao seu lado. Deitado ao seu lado numa felicidade silenciosa. E sua morte faria sentido, ou não. Quem poderia lhe dizer? Se ela tocasse uma vela, não sentiria dor, isso era irreal. Tanto fazia o frio ou o calor, pois seu corpo não sentia mais. Seu coração estava despedaçado, mesmo que parado. A morte nela estava, mas Emily ainda teria muitas lágrimas para dar.
Enquanto isso suas dúvidas a corroiam, numa caminhada lenta e relutante, através das sombras que escondiam o acorde do amanhecer, que trazia suas respostas.
Quando toco a vela acesa, falta seu calor
Se me corto com uma faca não há dor
É verdade que ela vive e que a morte em mim está
Mas não deixo de sofrer
Não demora vai se ver no meu rosto uma lágrima rolar
Quando toco a vela acesa eu não sinto dor
Tanto faz se estou no frio ou no calor
O meu coração não bate mas ainda assim se parte
E não deixa de sofrer recusando se render
A morte em mim está mas ainda tenho lágrimas pra dar
FM.
A Princesa Dos Mares - 1ª parte
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
16:56
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Esta é a minha versão da história de A Pequena Sereia.
'
A brisa marinha circulava como se dançasse pelo céu, através da noite. Uma névoa úmida e esbranquiçada bruxuleava lentamente acima do oceano de ondas plácidas e cor tão escura quanto o ébano. Na linha do horizonte noturno, mar e céu se confundiam, pela falta que a lua fazia ali. As estrelas, no entanto, brilhavam solitárias, sujando o céu negro com suas formas e constelações. Aquele era o céu mais cheio de estrelas que existia sobre a face da Terra.
No espelho d'água não havia reflexos. Tudo tão obscuro e tranquilo que amedrontava até os mais corajosos humanos que tentavam entrar naquelas águas que banhavam corais. Os corais. A despeito da ausência de cor de todo o lugar, os corais eram como um refúgio de tonalidades diversas, logo embaixo da água. E havia vida ali. Os murmúrios do vento superior não se comparavam à vida em sua plenitude, como na civilização abaixo da água.
Cardumes de peixes escuros se confundiam com a água pela ausência de luz. Outros peixes vagavam solitários por ali. Uns pequenos se escondiam entre os poríferos, corais coloridos. Alguns pequenos crustáceos se movimentavam pela terra embaixo da água. E algo como uma luz emanava distante, através dos movimentos lentos que a água produzia na escuridão. Um reino submarino se erguia imponente, de onde surgia a luz. Grandes torres que pareciam emergir a superfície, tudo edificado na mais branca rocha que havia nos oceanos. Por ali, segredos jaziam escondidos entre água e rocha.
Essa é a história de seis irmãs sereias. Princesas dos mares. Filhas do rei daquele reino, as seis irmãs perderam a mãe. Eram, no entanto, jovens demais para lembrar seus traços, seu perfume, seu sorriso. Foram criadas pela avó, uma anciã sábia do reino.
Desde a mais velha à mais nova, foi informado pela avó que, a cada ano que passasse, quando completassem quinze anos, cada uma receberia como presente a permissão para visitar a superfície e conhecer o que havia além da água.
Mesmo que a nenhuma delas fosse permitido falar com humanos. Mesmo que nenhuma delas fosse permitida de sair da água. Mesmo que nenhuma delas fosse permitida deixar o reino. Ao completar quinze anos, ver a superfície que estava acima delas era uma convidativa, fantasiosa, porém perigosa, aventura.
Assim, a cada ano, quando cada uma das seis irmãs completava seus quinze anos, iam à superfície e viam tudo ao redor, encantadas.
Voltavam ao reino contando cada mínimo detalhe do que havia além da água. Como tudo era límpido e contavam sobre como era sentir o vento cortar o rosto. Se havia chuva, a água, diferentemente da água do mar, tinha um sabor adocicado. Se fazia sol, aquela era a luz mais radiante que existia no infinito. Se era noite, o céu era tão denso quanto o mar, mas se era dia, a cor do céu podia variar, dependendo da hora. E era tão maravilhoso poder apreciar a variação de matizes que havia no céu. Laranjas, rosas, amarelos, azuis. O arco-íris. Tão belo quanto os corais que adornavam o chão do oceano, as flores do mar.
E a cada palavra, a mais nova das irmãs fantasiava acerca das experiências das irmãs. Até que uma delas disse que em uma de suas visitas, o céu estava tão vermelho quanto suas longas madeixas, e tocou os cabelos da irmã mais nova, que se chamava Ariel.
-O céu estava tão vermelho quanto seus cabelos, Ariel... Era tão assustadoramente bonito! E então, das grandes nuvens escuras que manchavam o céu avermelhado, surgiram gotas de água adocicada, numa chuva tão forte que me fez confundir o que era superfície e a nossa água de verdade.
A menina mexeu a mão na água, fazendo pequenas bolhas entre os dedos.
-O céu parecia sangrar, como seus cabelos, Ariel.
A pequena princesa sereia ouvia a irmã mais velha, suspirando e esperando pelo dia em que também veria tudo aquilo que as irmãs viam. E um dia ela também contaria às crianças como era lá em cima. E sentiria o prazer de ver a surpresa, a admiração e o medo presentes nos olhares de seus futuros ouvintes. E sorriria ao fazê-lo.
Aquele dia chegou. O amanhecer traria consigo uma nova idade a Ariel e em seu destino havia mais que um colorido céu para ver, pois seu futuro se desenrolaria a partir dali.
***
Longe dali, um homem fitava o mar com o olhar perdido. Pensava nas nuvens que se aproximavam na linha do horizonte, fazendo-o chorar mais uma vez, naquele início de manhã. Mas ele não podia adiar sua viagem por mais um dia. Encheu o peito de coragem, trocando a lâmpada do farol.
Um homem do litoral no início do dia
olha fixo o horizonte com ventos do mar em seu rosto
Ilha tempestuosa, estações todas iguais
Ancoragem com registro e o barco com o nome de Princesa do Mar
Um mar com um litoral para um conhecido príncipe
Ele acende o farol, luz na extremidade do mundo.
Mostrando o caminho para iluminar a esperança em seu coração
Esse que veio de longe em suas jornadas para casa
Isso não está há muito tempo esquecido
Essa é a luz no fim do mundo
Mesmo que veja o horizonte chorar
As lágrimas que ele deixou pra trás há muito tempo
O albatroz está voando, fazendo dele um sonho
No tempo antes dele tornou-se um dos mundos não vistos
Princesas nas torres, crianças no campo
A vida deu tudo a ele, uma ilha do universo
Agora precisa de um amor além de uma lembrança
Além de um fantasma na névoa
Ele arma as velas uma última vez, dizendo adeus para o mundo
Âncora ao mar, o leito do mar longe abaixo
Grama ainda nos seus pés e um sorriso abaixo da testa
Isso está há muito tempo esquecido
Agora há uma luz no fim do mundo
O horizonte ainda chora
As lágrimas que ele deixou pra trás há muito tempo
Há muito tempo...
Não há muito tempo...
***
Continua.
FM.
'
A brisa marinha circulava como se dançasse pelo céu, através da noite. Uma névoa úmida e esbranquiçada bruxuleava lentamente acima do oceano de ondas plácidas e cor tão escura quanto o ébano. Na linha do horizonte noturno, mar e céu se confundiam, pela falta que a lua fazia ali. As estrelas, no entanto, brilhavam solitárias, sujando o céu negro com suas formas e constelações. Aquele era o céu mais cheio de estrelas que existia sobre a face da Terra.
No espelho d'água não havia reflexos. Tudo tão obscuro e tranquilo que amedrontava até os mais corajosos humanos que tentavam entrar naquelas águas que banhavam corais. Os corais. A despeito da ausência de cor de todo o lugar, os corais eram como um refúgio de tonalidades diversas, logo embaixo da água. E havia vida ali. Os murmúrios do vento superior não se comparavam à vida em sua plenitude, como na civilização abaixo da água.
Cardumes de peixes escuros se confundiam com a água pela ausência de luz. Outros peixes vagavam solitários por ali. Uns pequenos se escondiam entre os poríferos, corais coloridos. Alguns pequenos crustáceos se movimentavam pela terra embaixo da água. E algo como uma luz emanava distante, através dos movimentos lentos que a água produzia na escuridão. Um reino submarino se erguia imponente, de onde surgia a luz. Grandes torres que pareciam emergir a superfície, tudo edificado na mais branca rocha que havia nos oceanos. Por ali, segredos jaziam escondidos entre água e rocha.
Essa é a história de seis irmãs sereias. Princesas dos mares. Filhas do rei daquele reino, as seis irmãs perderam a mãe. Eram, no entanto, jovens demais para lembrar seus traços, seu perfume, seu sorriso. Foram criadas pela avó, uma anciã sábia do reino.
Desde a mais velha à mais nova, foi informado pela avó que, a cada ano que passasse, quando completassem quinze anos, cada uma receberia como presente a permissão para visitar a superfície e conhecer o que havia além da água.
Mesmo que a nenhuma delas fosse permitido falar com humanos. Mesmo que nenhuma delas fosse permitida de sair da água. Mesmo que nenhuma delas fosse permitida deixar o reino. Ao completar quinze anos, ver a superfície que estava acima delas era uma convidativa, fantasiosa, porém perigosa, aventura.
Assim, a cada ano, quando cada uma das seis irmãs completava seus quinze anos, iam à superfície e viam tudo ao redor, encantadas.
Voltavam ao reino contando cada mínimo detalhe do que havia além da água. Como tudo era límpido e contavam sobre como era sentir o vento cortar o rosto. Se havia chuva, a água, diferentemente da água do mar, tinha um sabor adocicado. Se fazia sol, aquela era a luz mais radiante que existia no infinito. Se era noite, o céu era tão denso quanto o mar, mas se era dia, a cor do céu podia variar, dependendo da hora. E era tão maravilhoso poder apreciar a variação de matizes que havia no céu. Laranjas, rosas, amarelos, azuis. O arco-íris. Tão belo quanto os corais que adornavam o chão do oceano, as flores do mar.
E a cada palavra, a mais nova das irmãs fantasiava acerca das experiências das irmãs. Até que uma delas disse que em uma de suas visitas, o céu estava tão vermelho quanto suas longas madeixas, e tocou os cabelos da irmã mais nova, que se chamava Ariel.
-O céu estava tão vermelho quanto seus cabelos, Ariel... Era tão assustadoramente bonito! E então, das grandes nuvens escuras que manchavam o céu avermelhado, surgiram gotas de água adocicada, numa chuva tão forte que me fez confundir o que era superfície e a nossa água de verdade.
A menina mexeu a mão na água, fazendo pequenas bolhas entre os dedos.
-O céu parecia sangrar, como seus cabelos, Ariel.
A pequena princesa sereia ouvia a irmã mais velha, suspirando e esperando pelo dia em que também veria tudo aquilo que as irmãs viam. E um dia ela também contaria às crianças como era lá em cima. E sentiria o prazer de ver a surpresa, a admiração e o medo presentes nos olhares de seus futuros ouvintes. E sorriria ao fazê-lo.
Aquele dia chegou. O amanhecer traria consigo uma nova idade a Ariel e em seu destino havia mais que um colorido céu para ver, pois seu futuro se desenrolaria a partir dali.
***
Longe dali, um homem fitava o mar com o olhar perdido. Pensava nas nuvens que se aproximavam na linha do horizonte, fazendo-o chorar mais uma vez, naquele início de manhã. Mas ele não podia adiar sua viagem por mais um dia. Encheu o peito de coragem, trocando a lâmpada do farol.
Um homem do litoral no início do dia
olha fixo o horizonte com ventos do mar em seu rosto
Ilha tempestuosa, estações todas iguais
Ancoragem com registro e o barco com o nome de Princesa do Mar
Um mar com um litoral para um conhecido príncipe
Ele acende o farol, luz na extremidade do mundo.
Mostrando o caminho para iluminar a esperança em seu coração
Esse que veio de longe em suas jornadas para casa
Isso não está há muito tempo esquecido
Essa é a luz no fim do mundo
Mesmo que veja o horizonte chorar
As lágrimas que ele deixou pra trás há muito tempo
O albatroz está voando, fazendo dele um sonho
No tempo antes dele tornou-se um dos mundos não vistos
Princesas nas torres, crianças no campo
A vida deu tudo a ele, uma ilha do universo
Agora precisa de um amor além de uma lembrança
Além de um fantasma na névoa
Ele arma as velas uma última vez, dizendo adeus para o mundo
Âncora ao mar, o leito do mar longe abaixo
Grama ainda nos seus pés e um sorriso abaixo da testa
Isso está há muito tempo esquecido
Agora há uma luz no fim do mundo
O horizonte ainda chora
As lágrimas que ele deixou pra trás há muito tempo
Há muito tempo...
Não há muito tempo...
***
Continua.
FM.
White Night Fantasy 2ª parte
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
21:56
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
'
Um anjo que vagava entre as fronteiras da Terra e do céu, perto do amanhecer aterrador.
Doces pequenas palavras foram feitas para o silêncio,
não para serem faladas.
Todo coração descongelado toca canções com cuidado
Dedilhando seu violino, uma mão de poeta.
E em sua memória persistem momentos nunca desperdiçados
Descanse enquanto tudo está intocado, desvelado.
Mergulhe nos olhos enquanto eles ainda estão cegos.
Ame enquanto a noite ainda esconde o amanhecer aterrador.
A neve caminhará além das terras distantes
Através de uma noite branca imaginária
Reverberando a paz de um semblante vazio e límpido
Sem as mágoas que um dia o afogaram na escuridão.
E enquanto seus lábios estiverem vermelhos
Enquanto tudo se resumir ao silêncio
Enquanto tudo estiver intocado, desvelado
Enquanto seus olhos estiverem cegos
Enquanto a noite esconder o amanhecer aterrador
Ele se residirá em sonhos infantis
E de lá não sairá, porque não há nada mais
Somente uma noite branca imaginária
Com doces palavras que silenciaram
Com canções cuidadosamente entoadas
Com suas memórias imaculadamente vivas.
E da morte não se ouvirá notícia
Enquanto o anjo entristecido absorver a dor de quem sobrevive fora das montanhas além da Terra da noite branca imaginária.
Boa noite, bons sonhos.
FM.
Um anjo que vagava entre as fronteiras da Terra e do céu, perto do amanhecer aterrador.
Doces pequenas palavras foram feitas para o silêncio,
não para serem faladas.
Todo coração descongelado toca canções com cuidado
Dedilhando seu violino, uma mão de poeta.
E em sua memória persistem momentos nunca desperdiçados
Descanse enquanto tudo está intocado, desvelado.
Mergulhe nos olhos enquanto eles ainda estão cegos.
Ame enquanto a noite ainda esconde o amanhecer aterrador.
A neve caminhará além das terras distantes
Através de uma noite branca imaginária
Reverberando a paz de um semblante vazio e límpido
Sem as mágoas que um dia o afogaram na escuridão.
E enquanto seus lábios estiverem vermelhos
Enquanto tudo se resumir ao silêncio
Enquanto tudo estiver intocado, desvelado
Enquanto seus olhos estiverem cegos
Enquanto a noite esconder o amanhecer aterrador
Ele se residirá em sonhos infantis
E de lá não sairá, porque não há nada mais
Somente uma noite branca imaginária
Com doces palavras que silenciaram
Com canções cuidadosamente entoadas
Com suas memórias imaculadamente vivas.
E da morte não se ouvirá notícia
Enquanto o anjo entristecido absorver a dor de quem sobrevive fora das montanhas além da Terra da noite branca imaginária.
Boa noite, bons sonhos.
FM.
O poder da falta de Compreensão
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
09:57
domingo, 12 de dezembro de 2010
'
Não há entendimento. Por falta de ouvido, por falta de verbo, pela viseira que se colocou. E não há entendimento. Pela falta de opinião, pelo sentimento de perfeição, nunca erra, nunca se submete, sempre erra, sempre escuta, nunca ouve. Porque não há entendimento. Há silêncio, há medo, há frio, sempre sozinhos. Apenas porque não há entendimento. Tudo rege a falta de compreensão por achar que todos estão errados.
Há sofrimento.
E todos se reuniram para ocupar suas vidas em acabar com outra, em sua mente. Claramente ninguém mais tem nada para fazer, além de planejar meticulosamente cada passo para fazer alguém sofrer. E é muito óbvio que, na verdade, a pessoa menos ocupada e cheia de manias de perseguição está certa outra vez. Nunca erra, nunca se submete a não ter razão, no fim, sempre erra, sempre escuta, nunca ouve.
São somente gritos e ignorância que separam a cada dia mais os vínculos. O poder da falta de compreensão se manifesta de uma maneira a maltratar não só o ignorante, como também todos à sua volta. Logicamente a culpa não se remete somente a ele, mas... O que custaria escutar para entender e poupar as pessoas de sua expressão frígida? Pra que fingir para os outros que está tudo bem, quando na realidade se morre por dentro? Pra que eu me importaria com a vizinha da língua quilométrica?
E, por tudo, há silêncio. Porque se há palavra, não há compreensão. Prefere-se a solidão, tênue fio de lucidez a se partir no momento da verbalização, porque a menor tentativa de produzir diálogo se transforma numa ferina discussão. Mas...
Só por hoje eu vou ignorar. Afinal de contas, eu sou só uma sem noção que não sabe de nada, e é melhor que eu ponha os fones de ouvido para esquecer que há vida ao meu redor. E que eu saia de perto, porque eu sou totalmente diferente e minha presença só poderia fazer mal. Talvez porque eu seja uma inútil, e em toda a verdade de suas palavras, eu nunca esqueço que o dia em que eu nasci não é mais que arrependimento.
Dane-se. Antes eu queria uma resposta de quem me abandonou primeiro, porque é ali que se encontra a fonte primária de todo o tormento que se desenrolou na minha vida desde que eu tinha 5 anos. Mas não mais. Eu sei que Deus pode me escutar, e ele vê. É dele que eu espero o poder da compreensão. Eu não desejo vingança, porque fracos se vingam. Os fortes perdoam. Eu só quero ignorar. Eu espero um dia poder ignorar toda a chaga que se formou, toda a cicatriz que me marca.
Enquanto isso, eu vivo sob o poder da falta de compreensão.
FM.
Não há entendimento. Por falta de ouvido, por falta de verbo, pela viseira que se colocou. E não há entendimento. Pela falta de opinião, pelo sentimento de perfeição, nunca erra, nunca se submete, sempre erra, sempre escuta, nunca ouve. Porque não há entendimento. Há silêncio, há medo, há frio, sempre sozinhos. Apenas porque não há entendimento. Tudo rege a falta de compreensão por achar que todos estão errados.
Há sofrimento.
E todos se reuniram para ocupar suas vidas em acabar com outra, em sua mente. Claramente ninguém mais tem nada para fazer, além de planejar meticulosamente cada passo para fazer alguém sofrer. E é muito óbvio que, na verdade, a pessoa menos ocupada e cheia de manias de perseguição está certa outra vez. Nunca erra, nunca se submete a não ter razão, no fim, sempre erra, sempre escuta, nunca ouve.
São somente gritos e ignorância que separam a cada dia mais os vínculos. O poder da falta de compreensão se manifesta de uma maneira a maltratar não só o ignorante, como também todos à sua volta. Logicamente a culpa não se remete somente a ele, mas... O que custaria escutar para entender e poupar as pessoas de sua expressão frígida? Pra que fingir para os outros que está tudo bem, quando na realidade se morre por dentro? Pra que eu me importaria com a vizinha da língua quilométrica?
E, por tudo, há silêncio. Porque se há palavra, não há compreensão. Prefere-se a solidão, tênue fio de lucidez a se partir no momento da verbalização, porque a menor tentativa de produzir diálogo se transforma numa ferina discussão. Mas...
Só por hoje eu vou ignorar. Afinal de contas, eu sou só uma sem noção que não sabe de nada, e é melhor que eu ponha os fones de ouvido para esquecer que há vida ao meu redor. E que eu saia de perto, porque eu sou totalmente diferente e minha presença só poderia fazer mal. Talvez porque eu seja uma inútil, e em toda a verdade de suas palavras, eu nunca esqueço que o dia em que eu nasci não é mais que arrependimento.
Dane-se. Antes eu queria uma resposta de quem me abandonou primeiro, porque é ali que se encontra a fonte primária de todo o tormento que se desenrolou na minha vida desde que eu tinha 5 anos. Mas não mais. Eu sei que Deus pode me escutar, e ele vê. É dele que eu espero o poder da compreensão. Eu não desejo vingança, porque fracos se vingam. Os fortes perdoam. Eu só quero ignorar. Eu espero um dia poder ignorar toda a chaga que se formou, toda a cicatriz que me marca.
Enquanto isso, eu vivo sob o poder da falta de compreensão.
FM.
A long Nightmare
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
18:26
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
'
A noite que eu prefiro esquecer se seguiu sem que eu pudesse dormir. Algo me perturbava profundamente, apertava meu coração. Deitada, eu olhava o teto escuro do meu quarto e me perguntava o porque de já ser 12:23 e eu não conseguir fechar os olhos para descansar. E, assim que meus olhos pesaram e eu entrei num mundo paralelo ao real, tudo não passou de um pesadelo.
Alguém pedia ajuda. Alguém estendia a mão e me implorava. Eram flashs de uma época que eu considerava morta. Eu fechava as janelas que tantas vezes fechei sentindo medo e elas se abriam novamente, com um vento devastador. Eu chorava, fechando-as novamente, e lá estavam as grandes janelas escuras abertas novamente, mostrando-me aquele lugar iluminado pelo sol do fim de tarde.
Quando pensei estar novamente na realidade, senti uma mão em minhas costas e vi um sorriso solitário no corredor escuro, que sumiu. Mais uma vez eu estava sozinha num cômodo, e era cedo da manhã. Senti a brisa fria de outros tempos e ouvi o ruído produzido pelos carros na estrada ali perto. Os pássaros entoavam seu canto ao longe. E mais uma vez eu senti alguém me seguir e me pedir ajuda, mas não era mais algo quieto e lento.
A violência com que tudo se movimentava me lembrou a sensação de um terremoto. Os augúrios que se lançavam sobre meus ouvidos e o vento que levou toda a casa embora, deixando o velho espaço esbranquiçado, como uma folha branca, me deixou sozinha, novamente. Caí de joelhos sobre a imensidão branca e um buraco se formou dentro de meu coração, dilacerando-o lentamente. E eu nunca havia me sentido tão triste, nem quando meus pesadelos eram os da vida real.
Mas eu acordei. E ainda eram 3:01 h. Encolhi-me na cama e esperei o sono voltar, mas as imagens do pesadelo me voltaram aos olhos e eu os abri novamente, na esperança de que tudo fosse apenas um sonho, realmente.
Tudo estava acabado.
O fim daquela noite levaria a angústia.
Ou, pelo menos, talvez.
FM.
A noite que eu prefiro esquecer se seguiu sem que eu pudesse dormir. Algo me perturbava profundamente, apertava meu coração. Deitada, eu olhava o teto escuro do meu quarto e me perguntava o porque de já ser 12:23 e eu não conseguir fechar os olhos para descansar. E, assim que meus olhos pesaram e eu entrei num mundo paralelo ao real, tudo não passou de um pesadelo.
Alguém pedia ajuda. Alguém estendia a mão e me implorava. Eram flashs de uma época que eu considerava morta. Eu fechava as janelas que tantas vezes fechei sentindo medo e elas se abriam novamente, com um vento devastador. Eu chorava, fechando-as novamente, e lá estavam as grandes janelas escuras abertas novamente, mostrando-me aquele lugar iluminado pelo sol do fim de tarde.
Quando pensei estar novamente na realidade, senti uma mão em minhas costas e vi um sorriso solitário no corredor escuro, que sumiu. Mais uma vez eu estava sozinha num cômodo, e era cedo da manhã. Senti a brisa fria de outros tempos e ouvi o ruído produzido pelos carros na estrada ali perto. Os pássaros entoavam seu canto ao longe. E mais uma vez eu senti alguém me seguir e me pedir ajuda, mas não era mais algo quieto e lento.
A violência com que tudo se movimentava me lembrou a sensação de um terremoto. Os augúrios que se lançavam sobre meus ouvidos e o vento que levou toda a casa embora, deixando o velho espaço esbranquiçado, como uma folha branca, me deixou sozinha, novamente. Caí de joelhos sobre a imensidão branca e um buraco se formou dentro de meu coração, dilacerando-o lentamente. E eu nunca havia me sentido tão triste, nem quando meus pesadelos eram os da vida real.
Mas eu acordei. E ainda eram 3:01 h. Encolhi-me na cama e esperei o sono voltar, mas as imagens do pesadelo me voltaram aos olhos e eu os abri novamente, na esperança de que tudo fosse apenas um sonho, realmente.
Tudo estava acabado.
O fim daquela noite levaria a angústia.
Ou, pelo menos, talvez.
FM.
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