O poder da falta de Compreensão

domingo, 12 de dezembro de 2010
'

Não há entendimento. Por falta de ouvido, por falta de verbo, pela viseira que se colocou. E não há entendimento. Pela falta de opinião, pelo sentimento de perfeição, nunca erra, nunca se submete, sempre erra, sempre escuta, nunca ouve. Porque não há entendimento. Há silêncio, há medo, há frio, sempre sozinhos. Apenas porque não há entendimento. Tudo rege a falta de compreensão por achar que todos estão errados.

Há sofrimento.

E todos se reuniram para ocupar suas vidas em acabar com outra, em sua mente. Claramente ninguém mais tem nada para fazer, além de planejar meticulosamente cada passo para fazer alguém sofrer. E é muito óbvio que, na verdade, a pessoa menos ocupada e cheia de manias de perseguição está certa outra vez. Nunca erra, nunca se submete a não ter razão, no fim, sempre erra, sempre escuta, nunca ouve.

São somente gritos e ignorância que separam a cada dia mais os vínculos. O poder da falta de compreensão se manifesta de uma maneira a maltratar não só o ignorante, como também todos à sua volta. Logicamente a culpa não se remete somente a ele, mas... O que custaria escutar para entender e poupar as pessoas de sua expressão frígida? Pra que fingir para os outros que está tudo bem, quando na realidade se morre por dentro? Pra que eu me importaria com a vizinha da língua quilométrica?

E, por tudo, há silêncio. Porque se há palavra, não há compreensão. Prefere-se a solidão, tênue fio de lucidez a se partir no momento da verbalização, porque a menor tentativa de produzir diálogo se transforma numa ferina discussão. Mas...

Só por hoje eu vou ignorar. Afinal de contas, eu sou só uma sem noção que não sabe de nada, e é melhor que eu ponha os fones de ouvido para esquecer que há vida ao meu redor. E que eu saia de perto, porque eu sou totalmente diferente e minha presença só poderia fazer mal. Talvez porque eu seja uma inútil, e em toda a verdade de suas palavras, eu nunca esqueço que o dia em que eu nasci não é mais que arrependimento.

Dane-se. Antes eu queria uma resposta de quem me abandonou primeiro, porque é ali que se encontra a fonte primária de todo o tormento que se desenrolou na minha vida desde que eu tinha 5 anos. Mas não mais. Eu sei que Deus pode me escutar, e ele vê. É dele que eu espero o poder da compreensão. Eu não desejo vingança, porque fracos se vingam. Os fortes perdoam. Eu só quero ignorar. Eu espero um dia poder ignorar toda a chaga que se formou, toda a cicatriz que me marca.

Enquanto isso, eu vivo sob o poder da falta de compreensão.

FM.

0 comentários:

Postar um comentário