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Enquanto as memórias permanecem
O sol se vai
Dentro de palavras que um dia machucaram
Quebrando meu pequeno mundo
Eu emudeci as lágrimas
Compreendi o sentido da frieza
Sufoquei meus sentidos
Prendi minha mente num profundo buraco embaixo da terra
Calma, leve, fria e sem sonhos, novamente
Sempre é assim
Nem que eu me corte com uma faca ou queime meu dedo numa vela
Não sentirei dor
Sempre foi assim
Aprendi com o que a vida poderia ter me ensinado
Rasguei meu coração e o joguei fora.
Sufoquei minhas lágrimas e dor para não sofrer
Por uma última vez
Porque minhas memórias permanecem enquanto o sol se vai
Se nada é realmente esquecido, nada é realmente perdoado
Talvez eu tenha me ferido fundo demais para esquecer
Sempre foi assim. Sufoco dor e medo para não morrer
E grito por dentro de mim, uma vez mais
Dentro do que restou no lugar do meu coração
Fui abandonada pelos meus olhos, por minhas voz
Para me encontrar numa escuridão confortável
Um local onde eu posso dormir em paz
Meu próprio mundo imaginário
Onde meus pesadelos se tornam nebulosos
Apenas sombras de si mesmos
Torno minha dor algo insensível
E tudo queima ao meu redor, ao redor da neve
Esqueletos humanos pairam sobre os cacos do meu passado
Aqui, em minha memória, você me acha
Meus olhos queimam num sorriso aquém da luz
Numa profusa escuridão, que me cobre
Vejo as espirais negras manchando o branco da neve no chão
Retorcendo línguas longas de fumaça ao redor de mim
Tudo queima. Vejo tudo desaparecer
Apenas uma voz restou em meio às cinzas
Um grito distorcido e etéreo
Em minha superfície entorpecida
Talvez um eco da loucura que me fez morrer por dentro
Devastado por lembranças de lágrimas banhadas em sangue
Nado contra a corrente até o fim
Busco minha liberdade enquanto vejo a terra se abrindo aos meus pés
Meu mundo imaginário continua cheio de neve e sombras
O Reino da Branca de Neve
Só nunca esqueça que eu quero ser mais como eu, e muito menos como você.
FM.


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