Dias nublados, cegos. O vento do litoral, surdos.

sábado, 15 de maio de 2010
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Há uma brisa entre o cinza do dia nublado. Ela anuncia mais um dia que se partirá em nossas atitudes, destino escrito por nós, errantes na esperança de um dia conquistarmos o mundo ao nosso redor.

E, na ambição que corroe toda e qualquer estrutura, olhos perspicazes querem derrubar os outros, dentro do egoísmo que paira sobre sua visão. E assim se passa a tragédia. Ideais vendidos para salvar o poder que corre nas mãos. Todos são iguais, cospem sua empatia em corações cansados, cegando-os para a verdade.

Desprezam tudo o que há em seu íntimo. Uma insignificância maldita que cresce em nós. Todos nós, impassíveis diante do túmulo da humanidade, pressionando nossos sentidos, trancando-os no solidão de nossa mente, abandonados.

Isso cresce dentro de nós. Não podemos, mas deixamos. Escravos de uma necessidade imposta pelo comércio, mestres em esconder nossa fragilidade. Sem restrição alguma à sujeira que escorre de nossas próprias mãos. Sangue da guerra travada todos os dias, marca da violência e desrespeito à nós mesmos.

Há em nós um céu nublado, um vento que sopra na extremidade do litoral. Perdemos a audição para o que acontece em nossos dias. Névoa que adormece nossa consciência. Mas não podemos deixar isso crescer em nós.

Isso não pode se tornar real. Porque quando assim for, nada mais será real.

FM.

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