'
Os gritos de Sophie ecoavam na noite, desesperados. Era o anúncio da morte de sua esperança, um coração solitário que vagava pelo céu, entre as estrelas. E sua voz era empurrada pelo vento que se erguia naquele lugar ermo. Havia a marca da honestidade em seus olhos, a mais profunda verdade que se escondia no azul de sua íris. Um olhar que antes fora impassível.
E tudo o que ela queria era algo que havia tido antes. Sophie seguia na estrada da morte sem ao menos saber quando encontraria seu amor outra vez. Ela precisava de tudo quanto já havia precisado e pedia por mais. Carregada pelo vento que corria até o sul, ela era levada.
Seus olhos se fixaram longe dali. Tomando um ar de impassível, ela se deixava ir pela corrente que a arrastava. Mas ela chorava. Como se não pudesse mais continuar, ela chorava. Ela só queria uma mão para absorver sua dor, mas encontrava o vazio. Isso fez Sophie pior. Em seu âmago, ela chorava. Em seu peito crescia um amor varrido pelo tempo, e ela estava sozinha.
E ela chorava. As estrelas cantavam junto aos anjos no céu, embalando um sonho do qual ela preferia sair, pois a ilusão a machucava, mas permanecia quieta. E por isso ela chorava. Como uma criança abandonada, ela pedia ajuda. Desamparada. E o vento a levava pra longe, no céu, caindo... E caiam as estrelas.
Estrelas e anjos que entristecidos por sua dor, mostravam suas mãos. Mas ela chorava, chorava por nunca ter se sentido amada. Como se fosse sempre sozinha, ela caía pelo céu noturno, vagando nas fronteiras do horizonte solitário, ela adormecia. Como uma criança, sonhava. Havia mais que cores em sua vida. Uma entrada solene e hipnótica nas nuvens, ela sorria. Nunca provara o sabor de alegria, e se embebia ali. Era seu lar, seu verdadeiro lar. Não havia máscara nem dor, não havia mentira ou desprezo.
E o tempo parou. As estrelas ainda caiam, os anjos caminhavam de pés descalços sobre a Terra. Sophie se inclinava do alto das cores e encontrava a profundidade do preto da noite, banhada pelas estrelas que teimavam em acompanhá-la. Mas ela chorava. Voltara ao seu mundo e chorava. Colidia com o chão e se partia. Deixava seu suspiro e sumia. Retornava a realidade de sua vida e acordava...
To be continued;
FM.
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