Palavras faladas silenciosamente.

terça-feira, 11 de maio de 2010
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Trazidas pelo vento que corta as fronteiras do sol. Dentro do calor que insiste em corroer o corpo e perdida no olhar cansado e solitário. Percorrendo a estrada em chamas de um caminho desértico. Posso constatar em todas as letras, sílabas, palavras... Observo algo em suas ações, escondido em sua máscara de felicidade eterna. Por trás de todos os seus movimentos há tanto medo quanto eu poderia ver em mim mesma.

Acho que isso me atrai profundamente. A sombra que cobre seu olhar vivo, às vezes pode-se perceber, em cada movimento produzido por seu corpo, há muito mais do que as palavras falam. O medo e a desconfiança que escusam qualquer verdade. Escondendo-se por trás de um sorriso fácil. E tudo o que tem feito é tudo o que fará.

Suas palavras são faladas silenciosamente. Em seus olhos eu posso ver, tudo o que há em sua expressão talvez use um tom esquivo, e é isso que me atrai profundamente, sua maneira desajeitada de ser exoticamente inebriante. Porém, nas palavras faladas silenciosamente, há alguém que pede um pouco de atenção como uma criança perdida. Ou talvez alguém que procura por um olhar que lhe dê as respostas para todas as suas perguntas.

Mas o que me atrai profundamente é a forma de despreocupar e disfarçar qualquer necessidade com toda a sua facilidade. Em seu timbre, ouço mais que palavras jogadas ao vento. Uma significação interna muito mais profunda que a forma com que suas mãos gesticulam levemente no ar. Em seus sorrisos posso compreender a mentira e a verdade, pois sua forma espontânea toma diferentes matizes diante de cada pessoa que passa por seus olhos.

E eu vejo seus olhos brilhando dentro dos caminhos que percorre. Um brilho por vezes tenebroso, feito de um esplendor que escuridão cobre. Ou talvez seja apenas a sombra do sol que castiga os dias pelos quais se esvai o tempo.

FM.

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