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Podia ser mais um dia qualquer, com algumas observações e distração. Podia ser como qualquer outra manhã de sol e céu de um azul tão forte que dói nos olhos. Podia ser tão saudosa quanto qualquer outra. E a luz do sol se desfaria como em qualquer dia, num momento do dia que muitos apreciam. E não haveria tanto do quanto eu posso chamar de saudade. Eu forneci os rumores, recebi, em troca, algo que o acaso providenciou. O acaso me forneceu imagens, esculturas desenhadas na terra diante de mim, e eu providenciei o sentimento que já me habituei a sentir, de tempos em tempos.
Tenho algumas manias, e uma delas é ler dicionários. Mas para identificar o significado de saudade eu não preciso nem sequer por um momento pesquisar em dicionários. Eu sinto diariamente. E eu já falei tanto em pequenos trechos de textos postados aqui, mas nunca dediquei um momento para isso, somente. Como tema principal.
So, Let's go.
É como se faltasse nescau no leite. Não ficou bom. É. É como se faltasse a guitarra no rock. Esse ficou muito ruim. Mas... É como se você estivesse assistindo aquele seriado que você gosta e, quando você assistia acompanhado, você ria. Mas quando assistia só, faltava um toque pra fazer rir. É bem como eu me sinto. É como se seus bordões de piada interna só fizessem sentido pra você, agora. E você precisa rir sozinha deles, porque as outras pessoas não vão entender a graça do momento no qual você criou a piada.
É sentir o cheiro de um perfume e lembrar de quando você usava ele pra ir à escola, porque era lá que você ia todo dia e gostava de ir, se não pela aula, mas pela companhia. É como ouvir aquela música que vocês cantavam juntos, gritando no meio da rua, às 7 da noite. Morrendo de fome. E se você olhar bem um pacotinho de biscoito Club Social de Pizza, você ri de um fato passado regado à fanta uva choca.
E quando você procura uma pessoa com quem dividir aquela música que você descobriu e adorou... E não encontra ninguém. É vazio. Ou quando você faz uma burrada e quer contar pra alguém, mas olha em volta e não tem ninguém. É vazio. Ou ainda quando você quer rir e olha em volta, sem encontrar ninguém pra compartilhar uma risada. É vazio. E vem aquele sentimento chato que primeiramente aperta alguma coisa na barriga, sobe até a garganta e prende tudo. Até subir aos olhos. E você enfraquece.
Porque há espaços na vida nos quais tudo o que se precisa é de um abraço apertado. Ou daquele sorvete de Abacaxi ao Vinho. Ou de pão com mortadela e café. Ou bolacha recheada mergulhada no café. Miojo com catchup. Bolacha passada no leite. Ou alguma dessas comidas loucas que você inventa com seus amigos e todo mundo come achando uma delícia de Creuza.
E tem momentos nos quais você só quer ter pra quem contar aquela novidade sem graça que você sabe que, mesmo sem ter nada de interessante, pra alguém ela vai ser importante. Mas aí você olha em volta e não encontra ninguém, e é vazio. E a ausência machuca mais que qualquer coisa em mim. É.
É sempre assim. Alguém, eu tenho que deixar. Outros tem que me deixar. Circunstâncias me separam de algum lugar, ou de uma data especial. E tem vezes que eu penso no quão injusto é o momento no qual a luz morre e leva embora minhas melhores horas, transformando-as em memória. Chego até a pensar em sentir raiva do passado, por ele não poder ser presente novamente. Porque nenhum tempo voltará. Porque não há muito depois da morte da luz, além de resquícios do que se conheceu, porque assim é a vida, e tudo passa, tudo sempre passará, já dizia o poeta.
Mas, por um instante, eu daria meus cabelos em troca de ver o novo tempo que virá. Enquanto isso eu aprecio a morte da luz, que providencia minhas memórias e me dá novos motivos para sentir algo como solidão, mas se chama saudade.
FM.
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