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É incrível como as vezes as palavras me faltam e como isso influencia na minha vida. Por não conseguir transferir pensamentos em palavras, eu engasgo. E meus dias se arrastam. Aos poucos, mal consigo esconder o vazio em meus olhos. Num segundo eu posso desmentir todas as minhas vontades em favor de uma só, a de escrever. Mas, como quase sempre acontece, em meus momentos de observação, atentei em sobre o que falar. Sobre o que comentar. Como uma chuva cheia de raios e trovões, a frieza reverberante do cinza me fez pensar.
Alguns momentos eu poderia pensar em não ser como minha essência me realiza. Mas eu bem sei que há algo enraizado em meus princípios e me faz da maneira que sou. Eu sou um pouco de solidão, um pouco de negligência, uma plenitude de reclamações. E eu não posso evitar o fato de que todas as minhas cicatrizes vivem expostas à novas feridas. É o que eu sou. Eu sou o que eu quero que as pessoas queiram. O que eu quero que as pessoas sintam. Mas é como se não importasse o que eu fizesse, nada mudaria o fato de eu não poder convencer a mim mesma que nem tudo na minha vida é real. Porque?
Eu caminho sozinha. As vezes eu queria correr pela rua encharcada pela chuva. Sentir o vento frio cortar meu rosto e sorrir como se não houvesse mais nada a fazer.
Minha vida como algo que eu poderia experimentar.
Sentir nas mãos, propagar meu conhecimento além das palavras e da imaginação. Porque quando eu o faço, é como se me sentisse preenchida pela experiência de ter vivido. E isso me faz bem, por mais que sejam raras as experiências de vida que eu tenho. Mas eu caminho sozinha e isso restringe o relâmpago que ilumina minha vida, dando contornos ao meu caminhar. O que resta?
Apenas uma trovoada indistinta. A trovoada do Norte. O irreal, o ilusório. Apenas um som adormecido, que se tranforma em silêncio em segundos. Eu deixo acontecer tudo à minha volta, e eu observo. Eu viro as costas para o que não me interessa, deixo as pessoas abaixarem a cabeça e fingirem que eu não existo. Mas eu sempre estou por aí, observando a todo fato.
Eu sei menos que tudo, sei mais que nada.
Eu sei que não posso sentir como sentia antes. Sei que há fatos aos quais nunca poderei virar as costas e esquecer. Nada é totalmente ignorado, nada é realmente esquecido. O tempo não vai curar, eu sei. São apenas cicatrizes, e nada mudará a constância das lembranças em minha vida. Aí está uma verdade que não posso ignorar.
Eu sou um pouco insegura, receosa, hesitante. É que as vezes eu acho que ninguém entende que eu faço tudo o que eu posso, mas nem sempre eu faço sentido. O ato de pensar antes de agir me deu a alcunha de fria, calculista. Não de hoje, mas de um passado quase infantil. Quando meus apelidos eram Visconde de Sabugosa, Mortícia e Branca de Neve. Esses eram os mais simpáticos e diziam, infantilmente, tudo sobre mim. O ato de escolher a cautela e a manipulação me fizeram enérgica em minhas resoluções, inflexível. Dura, em certos momentos, mas foi com os obstáculos e quedas que eu aprendi a ser assim. E essa sou eu.
Uma pessoa feita de neve. Apesar de frágil e amável. Não passo de uma trovoada. Cega, porém toda ouvidos. Eu ouço. Adoro escutar tudo o que querem me dizer, o que me interessa. O resto é o resto. Mas, momentaneamente eu pensei que ninguém nunca quis me dizer o que pensa de verdade, as vezes eu penso que a transparência se perdeu.
É que cada um possui sua própria máscara, seus dedos de confiança. Contudo, eu posso dizer que eu sou como a trovoada do norte, implacável e efêmera. E quem quiser me escutar, me escute no momento em que eu falo. Porque não é sempre que eu detenho o poder de ousar falar. Goste disso ou não, quem me escutou verdadeiramente sabe quem eu sou.
Essa sou eu, um pouco de cada sentimento que possuo, presos na edificação do meu nome. E você só poderá ouvir o eco do que realmente sou, como a trovoada do Norte. Foi algo que pensei enquanto fixava os olhos na chuva que caía hoje mesmo, mais cedo.
FM.
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Adoro ler seus textos.. tão sincero e verdadeiro. Em algumas estrofes posso me definir, é incrivil...em varios momento, é tudo que estou sentindo e vivendo. teamo, SUCESSO!