Lágrimas do Sol (A Little Dream)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010
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Um dia, vi a tristeza nos olhos dos homens. Oprimidos por seus anseios, dúvidas e dor, eles caminhavam. Uma multidão num cortejo sem fim. Haviam marcas de violência e fragilidade em seus passos, sua história os fazia moverem-se através do tempo, sem perceber a vida ao seu redor. E eu os julguei mortos. Não como os mortos, pois estes não possuem mais as chagas do sofrimento, mas como impassíveis.

E vi o mal que se comete debaixo do sol. Vi alguns corações insanos nos prazeres terrenos, perdidos. Vi outros corações na casa do luto, pesteados pela tristeza. Vi o silêncio que cobriu o céu naquele instante. Era o sol que sumia, por entre as nuvens. Eu pedi pelas poucas esperanças que ainda restavam naquele lugar, pela restauração. Pela vida em sua plenitude.

E gotas de chuva começaram a cair. A luz do dia ainda pairava fracamente pela terra, e os semblantes cansados fitaram o firmamento. Eram lágrimas de um sol que lavava aqueles espíritos errantes. Eram lágrimas do amanhecer, lágrimas de lassidão, de compaixão. Entre as nuvens, réstias de luz surgiam lentamente.

Nesse instante vi anjos cortando o alvorecer. Um vento começou a soprar do oriente, ardentemente em volta do solo. No céu, grandes melodias eram entoadas pelas vozes doces do daquele lugar. E, nos olhos das pessoas que fitavam o céu, havia paz. As vozes saíam com força de suas gargantas. Em cada coração se refazia a promessa da esperança que iria renascer.



Um pequeno sonho que tive noite passada.

FM.

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