Escudos Retorcidos (Flores de Papel)

domingo, 8 de agosto de 2010
'


Meus pensamentos me mantém lúcida durante meus dias. É por eles que não perco o sentido e a direção. É neles que encontro os sentidos que busco naquilo que não compreendo. Mas é em meus pensamentos que se formam meus escudos. Barreiras que me ajudam a proteger do mal que possa me atingir, é com esses escudos que me firo por não conseguir sentir tanto quanto gostaria.

Em minhas palavras introspectivas eu abri caminhos para a lucidez. Foi na solidão que aprendi o valor de todas as ações do ser humano. Em minha observação eu deixei cessar o som dos meus gritos e o medo das noites silenciosas, onde minhas mãos trêmulas perdiam o controle. Hoje eu somente anseio pelos sonhos de meu sono profundo.

Pois são meus sonhos, os suspiros de minha inconsciência, que continuam latentes em vida e choram toda a virtude de meus sorrisos reprimidos, trocados por crises falsas de riso. Meus sonhos são a luz imaginária que me guiam diante de todo o tempo que ainda virá, até que eu entre num sono profundo demais para acordar.

Todos os dias, assim que acordo e quando vou dormir, peço a Deus que me proteja dos meus escudos próprios. Peço que Ele ilumine meus olhos para que eu possa enxergar a virtude nos olhos do outro. E eu sei que um dia, meus pensamentos me levarão a um lugar onde meus escudos serão totalmente retorcidos.

Quando isso acontecer, haverá uma luz que servirá para clarear não somente as trevas físicas de um lugar. Ela se aprofundará em minha alma. E os monstros nunca mais chamarão meu nome. Eu permanecerei num lugar onde o vento sussurra doces palavras e as gotas de chuva contam as histórias.

Pois quando eu deito a cabeça e espero por respirar sem peso algum, sinto que um anjo derrama flores de papel sobre mim, onde escrevo palavras de alívio e alegria, onde ele sorri para mim e eu me lembro de meus bons sonhos, meus bons pensamentos. Num campo de flores de papel, com doces nuvens de ninar, sem mentiras eu assisto a paz que tanto sonhei durante toda a minha vida.

Num campo de flores de papel.


FM.

0 comentários:

Postar um comentário