Pijamas rajados de Sangue

quinta-feira, 5 de agosto de 2010
E eram apenas pijamas listrados a caminhar no dia cinza
Eram cinzas de lembranças espalhadas no vento frio
Eram faces mudas e tristes a caminhar entre correntes
Era o triste som do desespero que circulava por ali

Mas as mesmas mãos que ofereceram o ódio para repelir
Aqueles pescoços errantes que obrigados a aceitar
Uma ideia de brincar de morte a cada instante
Eram as mãos pelas quais toda a pérola era retirada

E naqueles olhos infantis havia algo de infelicidade
Nos dedos delicados de criança havia sangue e cinzas
De cada parte sua que foi apagada por fardas alinhadas
Das cantigas de roda agora restavam as memórias

E eram passeios sem volta que levavam os queridos
Levavam os bons dias para longe, para sempre
Deixavam a dor da perda de mais um laço de amor
Liberavam mais lágrimas sobre olhos cansados

E apenas aquele solo era testemunha de tudo
Apenas aqueles pijamas rajados de sangue poderiam explicar

Adormecido no tempo
Sujo pelo ódio de tempos atrás
Marcado por todo o medo
Aquele solo era testemunha
Morto no tempo por uma guerra muda
Apagado por fardas alinhadas
E ver o sol nascer em mais um dia cinza
Ver a honra e glória alheia varrendo sua história

Uma guerra muda
Pijamas rajados de sangue
Brincando de morte
Mais corpos caídos

FM.

0 comentários:

Postar um comentário