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"Dizem que anjos sangram em silêncio para proteger, e este é meu silêncio por você. Até o fim da melodia, por você."
E, numa noite qualquer, a brisa entra fria pela janela do quarto. A mesma que faz as folhas das árvores se mexerem. Ali, no frio daquele cômodo, um anjo escreve suas memórias mórbidas. Até o fim da melodia, pelos vastos campos de sua mente, ele caminha.
Suas mãos gélidas e sua face pálida, os cabelos caídos nos ombros. As lágrimas que umedecem o lençol são a imagem da solidão que se instalou em sua vida. Da dor que o consome conforme os dias se vão. Até o fim da melodia, o conforto de seu silêncio será seu túmulo.
Pois seus segredos estão tatuados bem abaixo de sua pele. Ele ainda pressiona as fotos amareladas contra o corpo. Suas lágrimas ainda rolam calmas por seu rosto magro.
E um turbilhão de vozes gira em sua cabeça, até as mãos irem à testa, onde os dedos pressionados na pele causam uma falsa impressão de conforto. Com as pálpebras cerradas ele busca ar para os pulmões e, até o fim da melodia, seu fôlego será o que lhe sustentará a vida.
A escuridão que lhe impede a visão queima seus olhos, esconde-os na sombra da ignorância. O sangue que abandona seu corpo pinta suas cobertas. O frio entorpece a dor silenciosa em seu corpo. Porque, até o fim da melodia, anos sangrarão em silêncio para proteger.
E então, até o fim da melodia, seu coração pulsará. Sua voz será calma e seus olhos estarão cobertos escondendo seus medos, os retalhos de seus anseios, os poucos rastros de felicidade que o satisfazem por segundos. Momentos fugidios de uma sobrevida. Até o fim da melodia.
FM.
Escrito em 9 de fevereiro de 2009. Uma noite qualquer...
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