Uma lição Matinal.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010
"Nós sempre temos a tendência de ver coisas que não existem, e ficar cegos para as grandes lições que estão diante de nossos olhos."

Deixei o dia me levar, hoje. Durante essa manhã, ponderei sobre um autor. Miguel de Cervantes de repente me pareceu fascinante. Sob o vento matutino, em minha caminhada até a sala de aula pude refletir, no meu silêncio, sobre um de seus personagens. Dom Quixote é o rei da ordem desordenada.

Louco ou sonhador? Quem ousaria dizer que os gigantes de suas batalhas eram apenas moinhos? Ele possuía imaginação fértil, mas em seu coração havia uma pureza que não o fazia mentir. Eu chegaria a dizer que algo em Dom Quixote transpira coragem. Sim, por que não? Ele enfrentava todos os monstros e maiores desafios, destemido. É uma grande lição, sim. Ele possuía um medo, no entanto. Largar seus sonhos e cair numa dura realidade lhe fazia transparecer seu pior.

Uma vez me disseram que medo é perícia, que é necessário e que ninguém vive sem ele. E coragem? Às vezes, muitas vezes, é tão necessário quanto o medo. É a característica da virtude pregada por Aristóteles. O justo meio entre os dois é saber quando usar a coragem e o medo ao seu favor.

Também já ouvi que sentimentos existem para serem usados, logo, eu poderia ter escolhido ser curiosa. Fazer o que gosto, contar a verdade, dizer o que sinto, me expressar. Eu poderia ter escolhido ser independente, falar o que penso, me importar. Andar por aí, fazer amizades verdadeiras. Falar olhando nos olhos. Eu poderia ter escolhido sonhar.

Mas, muitas vezes por medo, por minha falta de coragem, eu falhei nisso.

Se todos nós fizéssemos como Dom Quixote, no sentido de enfrentar os obstáculos de nossas vidas em busca de um objetivo de peito aberto, sem se importar com o tamanho das paredes que bloqueam nossa passagem, se talvez a criação desses obstáculos em nossas mentes pudessem ser apagadas com o simples sopro de lucidez da coragem, tudo seria diferente.

Segundo dicionários, coragem significa firmeza de espírito, energia diante do perigo; valentia; perseverança.

Em uma curta análise, logo, a lição de perseverança do personagem mais famoso de Miguel de Cervantes deveria sobressair à sua "loucura". Aliás, se havia loucura nas veias de D. Quixote, não era maior que sua intrepidez. Entusiasta e criativo, mais que qualquer outro adjetivo que já tenha sido imposto a ele. Bastaria que caísse um olhar diferente e todos poderiam entender que a figura latente e febril de sua coragem o faziam permanecer em suas aventuras.

Mas isso é apenas uma humilde opinião... Uma pequena lição na qual pensei hoje pela manhã, à caminho da sala de aula.

Entre aqueles que estão emudecidos, poucos são os que ficam em silêncio.

Que tal ter um pouco de coragem e enfrentar o que se deve enfrentar? Pode ser tão ou mais interessante que guardar as palavras em sua mente, as ações dentro de sua cabeça.


FM.

2 comentários:

  1. Isabele disse...:

    Eu queria, a caminho da sala de aula, raciocinar tão bem quanto você. Adorei o texto. ")

  1. Unknown disse...:

    Falar o que se pensa e fazer o que se tem vontade. As palavras da noite (no meu caso). Ficou ótimo, parabéns!

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