'
Lágrimas correm por seu semblante
Uma tristeza corrói suas entranhas
Escuras nuvens movem-se a diante
Andando pelas estradas estranhas
Nenhuma esperança, só morbidez
Frios ventos continuam a soprar
Portões rangem, sombria rispidez
Uma densa névoa paira sobre o ar
A consternação punge o coração
Um corpo jaz sob sepulcro soturno
Gárgulas olham com quietação
A flor cai no túmulo devagar
Ainda orvalhada, e a esperança ressurge
Em fracos raios de sol a brilhar.
FM.
Ninguém nunca ouviria aquele coração Chorar
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
11:39
'
Então você caminha lentamente em direção ao infinito
E o cansaço é fatalmente explicado por seus olhos
Rendido ao fardo de morrer solitário neste lugar
E ninguém nunca veria seu coração sangrar
Porque o tempo caberá em suas mãos a partir de
Quando a luz que emana de seu corpo se esvair
Agora seus olhos de ressaca choram
Lavando as mãos dos pecados que ainda virão
E a morte chora tristemente, sozinha no infinito
Doce luto a pestear os anjos melancólicos que cantam
Ao passar uma onda lenta de dor por este lugar
Roubando todo o branco de suas vestes, deixando o negro
Uma melodia mortal entoada por todas as vozes
Compartilhando um momento dentro da noite
Quem poderia ser feliz ao caminhar para o suicídio?
Somente aquele que não suporta mais a vida
Então você não ouvirá seu coração chorar
Então compartilhe um momento de silêncio dentro da noite
Então olhe as estrelas, perto da morte
Agora não existe chance para uma nova vida
Sangrando por dentro, vendo a morte se aproximar
(Ninguém ouviria aquele coração chorar)
Perdido no tempo, adormecido pela fadiga
(As súplicas da voz sem chance de voltar à vida)
Morto e sem medo, esperando sua redenção
(Ninguém nunca ouviria aquele coração chorar)
FM.
Então você caminha lentamente em direção ao infinito
E o cansaço é fatalmente explicado por seus olhos
Rendido ao fardo de morrer solitário neste lugar
E ninguém nunca veria seu coração sangrar
Porque o tempo caberá em suas mãos a partir de
Quando a luz que emana de seu corpo se esvair
Agora seus olhos de ressaca choram
Lavando as mãos dos pecados que ainda virão
E a morte chora tristemente, sozinha no infinito
Doce luto a pestear os anjos melancólicos que cantam
Ao passar uma onda lenta de dor por este lugar
Roubando todo o branco de suas vestes, deixando o negro
Uma melodia mortal entoada por todas as vozes
Compartilhando um momento dentro da noite
Quem poderia ser feliz ao caminhar para o suicídio?
Somente aquele que não suporta mais a vida
Então você não ouvirá seu coração chorar
Então compartilhe um momento de silêncio dentro da noite
Então olhe as estrelas, perto da morte
Agora não existe chance para uma nova vida
Sangrando por dentro, vendo a morte se aproximar
(Ninguém ouviria aquele coração chorar)
Perdido no tempo, adormecido pela fadiga
(As súplicas da voz sem chance de voltar à vida)
Morto e sem medo, esperando sua redenção
(Ninguém nunca ouviria aquele coração chorar)
FM.
O peso que o ar Mantém
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
13:18
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
'
Era repugnantemente frio ali. Tão solitária, a lua persistia em seu ritmo em torno do céu. Era complicado entender o porque de tudo ser igual, a cada dia. É complicado entender o peso que o ar mantém sobre nós, diante da vida em movimento contínuo. Mas era repugnantemente sombrio ali. Num vislumbre mínimo da ideia de estar sozinha, ela pensava, mas seu pensamento vagava pelo vale do esquecimento, e ela fitava o horizonte.
Em seus olhos a curiosidade se perdeu. Havia um tom cético banhado pelas diferentes matizes que contém uma lágrima. E seus ombros não suportavam o peso que o ar mantinha naquele lugar, como uma gaiola, a prendia em um amor camuflado com o que, na verdade, parecia ser ódio. Em algum momento, lhe ocorreu a ideia de doença. Ela não podia deixar que essa doença se espalhasse por seu corpo. Ela não queria. Ela queria. Ela deixou.
Mas o céu, impassível, prosseguia em seu papel eterno, estático. E o vento carregava seus cabelos através do vazio, lentamente. Placidamente, a fração de tristeza que abatia sua voz se consternava ao ponto de distribuir as lágrimas por seus traços, num semblante indiferente ao mundo.
E nada destruiria o que estava escondido em seu coração. Nem o desprezo, o desrespeito dele. Todo o amor sufocado em seu interior era vivo e pulsante, latente em emoções extremas. Vestida em pétalas de esperança e saudade, ela se mantinha esperando. Mas, complicado era não deixar que a vida tomasse seu rumo sem se importar com o que os outros diriam. Complicado era não deixar se permitir e viver, porque o tempo da vida é curto, escorre rapidamente numa ampulheta que conta os dias.
Enquanto isso, ela se tornava escrava de uma ilusão. Envolvida pelos elos que as memórias transformaram em tesouro, fatalidades de um passado intensamente vivido, ela existia. Apesar de seu amor, ele era o único que a fazia triste. E isso sim era complicado. O modo como seus olhos se hipnotizavam pela imagem intransponível dele era inexplicável. Seu corpo e sua respiração tomados pela possessão de um amor escravizado pela ilusão, e isso sim era complicado.
O peso que o ar mantinha em sua sensação inebriante de sofrer era denso. Ela rasgava os retalhos de seus sentimentos e buscava em seu interior a folha em branco, para recomeçar. Ela existia pela necessidade de se auto-obrigar a renovar sua saudade diante da figura endeusada dele. Mas, sempre existiam as contradições, e isso sim era complicado.
Pois os olhos dele mentiam a dor que ele sentia ao produzir as palavras erradas pelos lábios. Era real. Mas ele não se deixava permitir, e se afastava. Tentava matar seu próprio amor e nele cuspia. Rejeitava a ideia de vivê-lo, tão somente por medo. Mas ela o amava, e o restituía. Restaurava os estilhaços de um espelho e buscava um reflexo sorridente. E ainda restaura. Todos os dias remonta suas emoções e a cada dia seu coração renova suas esperanças.
Mas isso é complicado. Há toda uma história de dor por trás e algumas cicatrizes que nunca desaparecerão. O ar ainda será denso por algum tempo, e haverá uma névoa indistinta sobre seus olhos. Pois no rolar de suas lágrimas há muito mais que um amor banido tempos atrás e isso custou a morte sucessiva de suas esperanças apenas para deixá-lo ir. E ele seguia seu caminho, ambos em lados opostos. Presos pelas correntes da saudade, permaneciam juntos.
Eu ouvi dizer que anjos mentem para manter o controle. Talvez, no dia em que a verdade sair dos lábios dele, diretos e incisivos a ela, os elos se desfarão, e ela se libertará. E seu amor talvez não a maltrate tanto.
Enquanto isso, complicado é morrer um pouco, a cada dia. Ela espera pela volta dele, com o coração cheio de saudade e lembranças, carregado pela esperança de ter valido a pena ouvir que era complicado ficar ao lado de quem ama, apenas uma vez.
A noite se esvaía e o dia nascia. Nas pedras de sua alma, ondas de vento quebravam e se transformavam em leve brisa. Esse é o peso que o ar mantém em sua vida, como as ondas do mar se chocam contra as pedras e se abrandam, todo choque que seu amor sofrer até o dim dos dias o quebrará, mas, não como acontece com as ondas do mar, ela o reconstituirá, pois sua esperança é eternizada pela promessa de que um dia seu amor será recompensado.
FM.
Era repugnantemente frio ali. Tão solitária, a lua persistia em seu ritmo em torno do céu. Era complicado entender o porque de tudo ser igual, a cada dia. É complicado entender o peso que o ar mantém sobre nós, diante da vida em movimento contínuo. Mas era repugnantemente sombrio ali. Num vislumbre mínimo da ideia de estar sozinha, ela pensava, mas seu pensamento vagava pelo vale do esquecimento, e ela fitava o horizonte.
Em seus olhos a curiosidade se perdeu. Havia um tom cético banhado pelas diferentes matizes que contém uma lágrima. E seus ombros não suportavam o peso que o ar mantinha naquele lugar, como uma gaiola, a prendia em um amor camuflado com o que, na verdade, parecia ser ódio. Em algum momento, lhe ocorreu a ideia de doença. Ela não podia deixar que essa doença se espalhasse por seu corpo. Ela não queria. Ela queria. Ela deixou.
Mas o céu, impassível, prosseguia em seu papel eterno, estático. E o vento carregava seus cabelos através do vazio, lentamente. Placidamente, a fração de tristeza que abatia sua voz se consternava ao ponto de distribuir as lágrimas por seus traços, num semblante indiferente ao mundo.
E nada destruiria o que estava escondido em seu coração. Nem o desprezo, o desrespeito dele. Todo o amor sufocado em seu interior era vivo e pulsante, latente em emoções extremas. Vestida em pétalas de esperança e saudade, ela se mantinha esperando. Mas, complicado era não deixar que a vida tomasse seu rumo sem se importar com o que os outros diriam. Complicado era não deixar se permitir e viver, porque o tempo da vida é curto, escorre rapidamente numa ampulheta que conta os dias.
Enquanto isso, ela se tornava escrava de uma ilusão. Envolvida pelos elos que as memórias transformaram em tesouro, fatalidades de um passado intensamente vivido, ela existia. Apesar de seu amor, ele era o único que a fazia triste. E isso sim era complicado. O modo como seus olhos se hipnotizavam pela imagem intransponível dele era inexplicável. Seu corpo e sua respiração tomados pela possessão de um amor escravizado pela ilusão, e isso sim era complicado.
O peso que o ar mantinha em sua sensação inebriante de sofrer era denso. Ela rasgava os retalhos de seus sentimentos e buscava em seu interior a folha em branco, para recomeçar. Ela existia pela necessidade de se auto-obrigar a renovar sua saudade diante da figura endeusada dele. Mas, sempre existiam as contradições, e isso sim era complicado.
Pois os olhos dele mentiam a dor que ele sentia ao produzir as palavras erradas pelos lábios. Era real. Mas ele não se deixava permitir, e se afastava. Tentava matar seu próprio amor e nele cuspia. Rejeitava a ideia de vivê-lo, tão somente por medo. Mas ela o amava, e o restituía. Restaurava os estilhaços de um espelho e buscava um reflexo sorridente. E ainda restaura. Todos os dias remonta suas emoções e a cada dia seu coração renova suas esperanças.
Mas isso é complicado. Há toda uma história de dor por trás e algumas cicatrizes que nunca desaparecerão. O ar ainda será denso por algum tempo, e haverá uma névoa indistinta sobre seus olhos. Pois no rolar de suas lágrimas há muito mais que um amor banido tempos atrás e isso custou a morte sucessiva de suas esperanças apenas para deixá-lo ir. E ele seguia seu caminho, ambos em lados opostos. Presos pelas correntes da saudade, permaneciam juntos.
Eu ouvi dizer que anjos mentem para manter o controle. Talvez, no dia em que a verdade sair dos lábios dele, diretos e incisivos a ela, os elos se desfarão, e ela se libertará. E seu amor talvez não a maltrate tanto.
Enquanto isso, complicado é morrer um pouco, a cada dia. Ela espera pela volta dele, com o coração cheio de saudade e lembranças, carregado pela esperança de ter valido a pena ouvir que era complicado ficar ao lado de quem ama, apenas uma vez.
A noite se esvaía e o dia nascia. Nas pedras de sua alma, ondas de vento quebravam e se transformavam em leve brisa. Esse é o peso que o ar mantém em sua vida, como as ondas do mar se chocam contra as pedras e se abrandam, todo choque que seu amor sofrer até o dim dos dias o quebrará, mas, não como acontece com as ondas do mar, ela o reconstituirá, pois sua esperança é eternizada pela promessa de que um dia seu amor será recompensado.
FM.
Pequeno apontamento sobre Saudade (O peso que o ar Mantém)
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
15:15
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
'
A fadiga me pesava os olhos naquele fim de tarde, num caminho que estou acostumada a fazer todos os dias. O sol se despedia do dia e eu sorria fracamente, ao escutar as palavras animadas das pessoas ao meu redor. E, dentre todas as palavras produzidas pelos mais variados timbres ali, uma declaração infantil me produziu lágrimas instantâneas.
Essa é uma história sobre o significado da saudade. Eu poderia comentar sobre significados de dicionários e estudiosos. Poderia apresentar teses científicas e gráficos matemáticos, mas nada seria tão simples e puro quanto as palavras de uma criança entre seus oito, dez anos. Nas palavras dele, a uma criança foi perguntado se ela sentiria falta, saudade de seu pai, recém falecido. E a criança respondeu que sim, lentamente.
Mas, a essa mesma criança, foi perguntado: "Você sabe o que significa saudade?". A criança, pacientemente, respondeu: "Querer ter alguém por perto e não poder ter."
Essas palavras reverberaram dentro de mim como ondas gigantescas num oceano plácido. Quase no mesmo instante em que as luzes da iluminação pública encheram meus olhos naquele início de noite, as lágrimas me acompanharam. Minha voz travou quase inconscientemente. Eu fui pega de surpresa pela sabedoria dessa criança, a qual eu nem ao menos sei o nome. E eu refleti sobre esse significado, numa pequena história que imaginei, a qual eu mostrarei a vocês, logo mais.
Por agora eu gostaria de saber qual o significado de saudade, para cada um de vocês. Pensem, em seu íntimo. Cada coração possui, em seus espaços mais escondidos, algo que desponta de vez em quando, a mostrar toda a dor de uma saudade, um amor verdadeiro. E só sabe o que essa dor significa, quem a sente.
Então, mesmo que você não saiba o que escrever sobre saudade, pense... Reflita sobre isso. Talvez você encontre mais respostas do que imagina.
FM.
A fadiga me pesava os olhos naquele fim de tarde, num caminho que estou acostumada a fazer todos os dias. O sol se despedia do dia e eu sorria fracamente, ao escutar as palavras animadas das pessoas ao meu redor. E, dentre todas as palavras produzidas pelos mais variados timbres ali, uma declaração infantil me produziu lágrimas instantâneas.
Essa é uma história sobre o significado da saudade. Eu poderia comentar sobre significados de dicionários e estudiosos. Poderia apresentar teses científicas e gráficos matemáticos, mas nada seria tão simples e puro quanto as palavras de uma criança entre seus oito, dez anos. Nas palavras dele, a uma criança foi perguntado se ela sentiria falta, saudade de seu pai, recém falecido. E a criança respondeu que sim, lentamente.
Mas, a essa mesma criança, foi perguntado: "Você sabe o que significa saudade?". A criança, pacientemente, respondeu: "Querer ter alguém por perto e não poder ter."
Essas palavras reverberaram dentro de mim como ondas gigantescas num oceano plácido. Quase no mesmo instante em que as luzes da iluminação pública encheram meus olhos naquele início de noite, as lágrimas me acompanharam. Minha voz travou quase inconscientemente. Eu fui pega de surpresa pela sabedoria dessa criança, a qual eu nem ao menos sei o nome. E eu refleti sobre esse significado, numa pequena história que imaginei, a qual eu mostrarei a vocês, logo mais.
Por agora eu gostaria de saber qual o significado de saudade, para cada um de vocês. Pensem, em seu íntimo. Cada coração possui, em seus espaços mais escondidos, algo que desponta de vez em quando, a mostrar toda a dor de uma saudade, um amor verdadeiro. E só sabe o que essa dor significa, quem a sente.
Então, mesmo que você não saiba o que escrever sobre saudade, pense... Reflita sobre isso. Talvez você encontre mais respostas do que imagina.
FM.
Um exemplo de Generosidade
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
21:50
terça-feira, 14 de setembro de 2010
'
Quando eu era criança, havia um mundo lá fora, como hoje. Mas, não como hoje, eu não o via da mesma maneira. Em meu olhar existia muito ao meu redor, foi a vida que eu conheci. Mas, em meu olhar, não cabia o verdadeiro sentido de existir, ou talvez aquele fosse o melhor jeito de ver a vida. Porque o olhar infantil tem apenas a inocência do descobrimento para se criar até o futuro.
Através do meu olhar, existia eu, um mundo e alguns sonhos partidos. Nunca fui uma pessoa muito otimista, nem quando criança. Mas eu sonhava. Assim como ainda sonho, eu sonhava. Talvez sonhasse com as mesmas coisas e, em matéria de sonhos, meu passado foi intensamente vivido. Pousando entre minhas memórias, eu sinto que meus sonhos foram as únicas fontes de vida que me habitaram por anos. Enquanto a morte, cruelmente, levava alguns amigos embora, enquanto as circunstâncias da vida me afastavam das pessoas que eu mais amava, eu sonhava com o dia em que tudo se restabeleceria.
Acredite, eu já perdi tantas pessoas quanto poderia perder. Mas eu nunca quis que isso crescesse dentro de mim como uma doença. Porque eu sei o quanto difícil é sentir algo preso na garganta, sufocante. Como um coração se partindo em pedaços, e eu não queria isso. A primeira vez em que eu senti como se algo tivesse sido arrancado de mim foi no ano de 2001. Naquele momento da minha vida eu já podia discernir que a morte levava embora as pessoas amadas e haveria a quebra do vínculo com elas.
Meu bisavô foi a pessoa mais generosa que eu já conheci em toda a minha vida. Seu olhar benevolente era tão verdadeiro quanto um olhar pode ser. Dentro de seu silêncio, nas marcas provocadas pelo tempo em seu corpo cansado, emanava uma luz que eu só enxergava nele. Em seu sorriso quase infantil eu via a simplicidade de um homem que passou pela vida e adquiriu sabedoria e o respeito das pessoas, como um ancião que era. Era meu espelho de virtudes, aquele homem. Sentia-me feliz quando chegava de viagem e o encontrava sentado naquela cadeira de balanço, perto da TV, assistindo a algum jornal.
Ele se erguia, no alto de sua idade, e abria um sorriso acolhedor. Estendia os braços e nos abraçava. Conversava sobre os mais variados assuntos, entendia sobre política e economia. Lembro das noites em que sentavam em volta da mesa da cozinha e os assuntos fluíam pela noite, naquele sítio. Eu era apenas uma criança, fingia que dormia, eu escutava. As mais variadas opiniões, eu as tomava em silêncio, como hoje. Mas eu admirava. Admirava aquele homem que, apesar de desgastado pelo tempo, possuía um brilho de jovem.
Humilde, nunca tirou os pés do chão para conseguir ir até o céu. Eu lembro de um dia nublado em que todos nos arrumamos para ir até uma plantação. Minha mãe me vestiu num vestido quadriculado e me pediu para calçar os tênis, pois as formigas poderiam machucar-me os pés. Nós fomos. Ele nos mostrava todas aquelas terras e nós, as crianças, corríamos entre as bananeiras. Em dado momento, eu mirei através do lugar e eles andavam lá na frente e os adultos o escutavam enquanto ele falava e apontava para algum lugar.
É a imagem que eu guardo com mais intensidade dele. Eu sentia orgulho de ele ser meu bisavô. Eu ainda sinto orgulho de pertencer à sua família. Uma das pessoas mais gentis que eu conheci. Uma das pessoas mais generosas que eu conheci, uma das pessoas mais humildes que eu conheci.
E, quando íamos embora daquele sítio, ele sempre acordava no escuro da madrugada para se despedir de nós. Sempre passava a mão sobre minha cabeça e me sorria, entregando uma cédula de um real, me pedindo para gastar com sabedoria. Eu sempre gastava aquele dinheiro com algum doce no meio do caminho, mas sempre lembrava dele quando pegava numa cédula de um real, e ainda lembro, quando raramente ainda encontro esse tipo de dinheiro por aí.
Num dia, porém, minha mãe falava impassível e tenho lembrança de sentir meu corpo estremecer, paralisando logo após. Meu pai pegou o telefone e ela se dirigiu até o quarto. A televisão era o único ruído, naquela manhã, após o telefonema. E, nunca, o som do silêncio me pareceu tão angustiante. Arrumávamos as malas para viajar e encontrá-lo pela última vez. A morte o havia levado embora.
Eu já me preparava para aquele dia há quatro meses, tempo no qual a agonia de contar os dias até sua morte o deve ter feito pensar no significado de toda a sua vida, e de lutar por ela com tudo o que havia em suas mãos cansadas. Mas, seu ciclo terminou, assim como o de minha bisavó terminara há alguns anos. E nós viajamos até sua casa, para vê-lo sair dali pela última vez.
Sempre tive receio de ver pessoas mortas, acho que por medo da quebra que existe entre a vida e a morte, um ponto final pode parecer assustador. Mas, naquela noite, me mantive acordada na sala, enquanto muitas pessoas se movimentavam e comentavam sobre sua morte. Alguns diziam: "Há alguns dias ele estava tão bem..." Outros comentavam à meia-voz: "Nunca mais..." Nunca mais.
Nunca mais eu veria seu brilho jovial no semblante castigado pelo tempo. Nunca mais eu ouviria seu caminhar arrastado pelo piso daquela casa. Nunca mais ele passaria a mão sobre minha cabeça e me pediria para ter sabedoria. E minha garganta apertou, era sufocante. Eu estava sentada numa cadeira e tudo era tão grande, do meu olhar infantil. Encolhi-me por ali e baixei os olhos, e confundiram com sono. Me levaram para a casa vizinha e me fizeram deitar para dormir. Mas meu coração havia se quebrado e meu sono tardava a chegar.
O som produzido por aquele silêncio era tão angustiante quanto podia ser. E o tom de eterno ali me fez derrubar algumas lágrimas pacientemente acolhedoras. Embalada por aquela noite fria em que o vento se movia com força pelo pátio de areia pálida, àquela hora tomado por uma imensidão azulada da lua, eu imaginava como seria a vida por ali, a partir daquele momento. Mas a expressão das pessoas que o viram pela última vez me fez ter a certeza de que tudo seria diferente demais.
E as últimas famosas palavras que disseram em homenagem a ele, no dia seguinte, foram saudosistas. Foi um dos únicos momentos em que vi meu pai chorar. Permitia que algumas lágrimas descessem por seu rosto avermelhado e ouvia alguem falar, como todos. Mais um momento de silêncio por ele.
Constatei que nunca tinha visto tantos carros num cortejo fúnebre. E, naquela tarde, eu estava sentada no batente da casa. Olhava o largo pátio de areia pálida, agora iluminado fortemente pelo sol, a ponto de causar dor nos olhos de quem se atrevia a fitá-lo por muito tempo. Eu repetia para mim mesma, em voz baixa: "3 de junho de 2001."
Uma música soava ao longe, ecoava pelo pátio. O vento seco formava alguns redemoinhos. Minha garganta ainda não desatara o nó que a comprimia. Ele partira para longe, para sempre. O vento acariciava tudo em torno de mim, os pássaros sobrevoavam aquele céu sem nuvens, formando alguns riscos negros no firmamento azul. Os galhos das árvores secas no horizonte se moviam lentamente, friamente.
Baixei minha visão pela segunda vez. Eu disse a mim mesma que nunca deixaria minha visão turvar diante das imagens do meu avô. Porque ele era meu exemplo de generosidade, era um homem forte e bondoso, era humilde. Era meu avô.
É mais um que as circunstâncias do tempo me tiraram. Mas seu exemplo ficará comigo para sempre.
Antonio Lino Bezerra.
FM.
Quando eu era criança, havia um mundo lá fora, como hoje. Mas, não como hoje, eu não o via da mesma maneira. Em meu olhar existia muito ao meu redor, foi a vida que eu conheci. Mas, em meu olhar, não cabia o verdadeiro sentido de existir, ou talvez aquele fosse o melhor jeito de ver a vida. Porque o olhar infantil tem apenas a inocência do descobrimento para se criar até o futuro.
Através do meu olhar, existia eu, um mundo e alguns sonhos partidos. Nunca fui uma pessoa muito otimista, nem quando criança. Mas eu sonhava. Assim como ainda sonho, eu sonhava. Talvez sonhasse com as mesmas coisas e, em matéria de sonhos, meu passado foi intensamente vivido. Pousando entre minhas memórias, eu sinto que meus sonhos foram as únicas fontes de vida que me habitaram por anos. Enquanto a morte, cruelmente, levava alguns amigos embora, enquanto as circunstâncias da vida me afastavam das pessoas que eu mais amava, eu sonhava com o dia em que tudo se restabeleceria.
Acredite, eu já perdi tantas pessoas quanto poderia perder. Mas eu nunca quis que isso crescesse dentro de mim como uma doença. Porque eu sei o quanto difícil é sentir algo preso na garganta, sufocante. Como um coração se partindo em pedaços, e eu não queria isso. A primeira vez em que eu senti como se algo tivesse sido arrancado de mim foi no ano de 2001. Naquele momento da minha vida eu já podia discernir que a morte levava embora as pessoas amadas e haveria a quebra do vínculo com elas.
Meu bisavô foi a pessoa mais generosa que eu já conheci em toda a minha vida. Seu olhar benevolente era tão verdadeiro quanto um olhar pode ser. Dentro de seu silêncio, nas marcas provocadas pelo tempo em seu corpo cansado, emanava uma luz que eu só enxergava nele. Em seu sorriso quase infantil eu via a simplicidade de um homem que passou pela vida e adquiriu sabedoria e o respeito das pessoas, como um ancião que era. Era meu espelho de virtudes, aquele homem. Sentia-me feliz quando chegava de viagem e o encontrava sentado naquela cadeira de balanço, perto da TV, assistindo a algum jornal.
Ele se erguia, no alto de sua idade, e abria um sorriso acolhedor. Estendia os braços e nos abraçava. Conversava sobre os mais variados assuntos, entendia sobre política e economia. Lembro das noites em que sentavam em volta da mesa da cozinha e os assuntos fluíam pela noite, naquele sítio. Eu era apenas uma criança, fingia que dormia, eu escutava. As mais variadas opiniões, eu as tomava em silêncio, como hoje. Mas eu admirava. Admirava aquele homem que, apesar de desgastado pelo tempo, possuía um brilho de jovem.
Humilde, nunca tirou os pés do chão para conseguir ir até o céu. Eu lembro de um dia nublado em que todos nos arrumamos para ir até uma plantação. Minha mãe me vestiu num vestido quadriculado e me pediu para calçar os tênis, pois as formigas poderiam machucar-me os pés. Nós fomos. Ele nos mostrava todas aquelas terras e nós, as crianças, corríamos entre as bananeiras. Em dado momento, eu mirei através do lugar e eles andavam lá na frente e os adultos o escutavam enquanto ele falava e apontava para algum lugar.
É a imagem que eu guardo com mais intensidade dele. Eu sentia orgulho de ele ser meu bisavô. Eu ainda sinto orgulho de pertencer à sua família. Uma das pessoas mais gentis que eu conheci. Uma das pessoas mais generosas que eu conheci, uma das pessoas mais humildes que eu conheci.
E, quando íamos embora daquele sítio, ele sempre acordava no escuro da madrugada para se despedir de nós. Sempre passava a mão sobre minha cabeça e me sorria, entregando uma cédula de um real, me pedindo para gastar com sabedoria. Eu sempre gastava aquele dinheiro com algum doce no meio do caminho, mas sempre lembrava dele quando pegava numa cédula de um real, e ainda lembro, quando raramente ainda encontro esse tipo de dinheiro por aí.
Num dia, porém, minha mãe falava impassível e tenho lembrança de sentir meu corpo estremecer, paralisando logo após. Meu pai pegou o telefone e ela se dirigiu até o quarto. A televisão era o único ruído, naquela manhã, após o telefonema. E, nunca, o som do silêncio me pareceu tão angustiante. Arrumávamos as malas para viajar e encontrá-lo pela última vez. A morte o havia levado embora.
Eu já me preparava para aquele dia há quatro meses, tempo no qual a agonia de contar os dias até sua morte o deve ter feito pensar no significado de toda a sua vida, e de lutar por ela com tudo o que havia em suas mãos cansadas. Mas, seu ciclo terminou, assim como o de minha bisavó terminara há alguns anos. E nós viajamos até sua casa, para vê-lo sair dali pela última vez.
Sempre tive receio de ver pessoas mortas, acho que por medo da quebra que existe entre a vida e a morte, um ponto final pode parecer assustador. Mas, naquela noite, me mantive acordada na sala, enquanto muitas pessoas se movimentavam e comentavam sobre sua morte. Alguns diziam: "Há alguns dias ele estava tão bem..." Outros comentavam à meia-voz: "Nunca mais..." Nunca mais.
Nunca mais eu veria seu brilho jovial no semblante castigado pelo tempo. Nunca mais eu ouviria seu caminhar arrastado pelo piso daquela casa. Nunca mais ele passaria a mão sobre minha cabeça e me pediria para ter sabedoria. E minha garganta apertou, era sufocante. Eu estava sentada numa cadeira e tudo era tão grande, do meu olhar infantil. Encolhi-me por ali e baixei os olhos, e confundiram com sono. Me levaram para a casa vizinha e me fizeram deitar para dormir. Mas meu coração havia se quebrado e meu sono tardava a chegar.
O som produzido por aquele silêncio era tão angustiante quanto podia ser. E o tom de eterno ali me fez derrubar algumas lágrimas pacientemente acolhedoras. Embalada por aquela noite fria em que o vento se movia com força pelo pátio de areia pálida, àquela hora tomado por uma imensidão azulada da lua, eu imaginava como seria a vida por ali, a partir daquele momento. Mas a expressão das pessoas que o viram pela última vez me fez ter a certeza de que tudo seria diferente demais.
E as últimas famosas palavras que disseram em homenagem a ele, no dia seguinte, foram saudosistas. Foi um dos únicos momentos em que vi meu pai chorar. Permitia que algumas lágrimas descessem por seu rosto avermelhado e ouvia alguem falar, como todos. Mais um momento de silêncio por ele.
Constatei que nunca tinha visto tantos carros num cortejo fúnebre. E, naquela tarde, eu estava sentada no batente da casa. Olhava o largo pátio de areia pálida, agora iluminado fortemente pelo sol, a ponto de causar dor nos olhos de quem se atrevia a fitá-lo por muito tempo. Eu repetia para mim mesma, em voz baixa: "3 de junho de 2001."
Uma música soava ao longe, ecoava pelo pátio. O vento seco formava alguns redemoinhos. Minha garganta ainda não desatara o nó que a comprimia. Ele partira para longe, para sempre. O vento acariciava tudo em torno de mim, os pássaros sobrevoavam aquele céu sem nuvens, formando alguns riscos negros no firmamento azul. Os galhos das árvores secas no horizonte se moviam lentamente, friamente.
Baixei minha visão pela segunda vez. Eu disse a mim mesma que nunca deixaria minha visão turvar diante das imagens do meu avô. Porque ele era meu exemplo de generosidade, era um homem forte e bondoso, era humilde. Era meu avô.
É mais um que as circunstâncias do tempo me tiraram. Mas seu exemplo ficará comigo para sempre.
Antonio Lino Bezerra.
FM.
Corações Apodrecidos
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
17:41
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
'
Era um dia de sol escaldante. Há dias eu procurava algo para escrever sobre, mas tudo me parecia tão banal. Foram dias em que meu silêncio se estendeu até minhas letras escritas, e foi mórbido.
Mas era um dia de sol escaldante. E eu andava, devaneava sobre a folhagem seca pelo caminho, percorria aquele lugar com os olhos quando escutei algo. Era uma pequena declaração, e eu sorri ao escutar. Não pelo significado da frase, mas pela luz que ela me proporcionou.
"Meu coração é podre."
Existem várias artérias pulsantes em cada parte do meu corpo, e elas são impulsionadas pelo meu coração. E é a partir dele que toda a vida circula em mim, dentro de meu sangue. Talvez, por essa razão, tantas pessoas digam que o amor vem de dentro do coração, numa simpática metáfora. Se, toda a nossa vida passa pelo coração para poder circular pelo corpo, talvez o amor circule junto com o sangue, percorrendo todo o nosso corpo.
Mas, durante uma pequena viagem pelo nosso corpo, o sangue, antes límpido e cheio de vida, se suja e perde a vitalidade, pelas veredas do nosso interior, até voltar ao coração. Como o amor, talvez. Nasce imaculado, puro, mas, com o tempo, dentro dos caminhos pelos quais envereda, se conspurca. E, em pulsos fracos, quando o coração não corresponde ao pedido de sangue para o corpo, este circula lentamente, quase parado, morto. Se um amor não possuir a resposta, logo a apatia vai se infiltrar em seu semblante e matá-lo, pouco a pouco.
E, se alguém ingerir veneno, este vai escorrer até seu sangue. Impregnando todo o caminho por ele percorrido, causará a morte. Talvez aconteça o mesmo com o amor, pois, ao ingerir os mais variados tipos de veneno, após receber golpes mortais, o amor pode enfraquecer-se tanto que chegue a morrer.
Então, talvez existam corações podres, realmente. Um coração pode apodrecer com o tempo, enchendo-se de feridas que nunca vão cicatrizar, com vestígios de palavras envenenadas, com uma face morta. Mas, a falta de credulidade só machuca. Corações podres deixam de acreditar, confiar. Corações podres têm medo de se entregar ao que poderia na verdade ser o caminho de sua vida. E medo é o contrário de amor. Corações podres são pobres, pois oferecem amor, mas estão bêbados de ódio. Corações podres só podem dizer com o que parecem, não o que realmente são, e isso sim é complicado.
Corações podres são insanos, amam o jeito como mentem para si mesmos, esperando tudo em volta queimar. E gostam da forma como se sente essa dor de amar sem sentimento, e observam as lágrimas do alvo de seu amor, como se fossem pequenas estrelas cadentes, que percorrem o infinito. E, mesmo assim, está tudo bem.
Corações podres são doentes. Corações apodrecidos poderiam ser vivos e felizes, se tentassem, porque todos podem.
Um coração humano apodrecido pelo tempo
Cheio de feridas que nunca vão cicatrizar
Com vestígios de palavras envenenadas
De sorrisos nunca feitos por essa face morta
Quando eu pude gritar com toda a voz
Somente escutei o eco das palavras
E menti pra mim com o que jamais ousei pensar
Perdi a direção ao tocar esperanças mortas
Sou apenas uma música triste
Com um coração apodrecido
E o silêncio me guiará até o fim
Até o fim
Como estrelas caindo
Lágrimas que percorrem o infinito
Quando a luz se tornar escuridão
Meus sonhos cadentes no céu
Como estrelas caindo
Como estrelas caindo
Lágrimas que percorrem o infinito
Meu coração apodrecido
FM.
Era um dia de sol escaldante. Há dias eu procurava algo para escrever sobre, mas tudo me parecia tão banal. Foram dias em que meu silêncio se estendeu até minhas letras escritas, e foi mórbido.
Mas era um dia de sol escaldante. E eu andava, devaneava sobre a folhagem seca pelo caminho, percorria aquele lugar com os olhos quando escutei algo. Era uma pequena declaração, e eu sorri ao escutar. Não pelo significado da frase, mas pela luz que ela me proporcionou.
"Meu coração é podre."
Existem várias artérias pulsantes em cada parte do meu corpo, e elas são impulsionadas pelo meu coração. E é a partir dele que toda a vida circula em mim, dentro de meu sangue. Talvez, por essa razão, tantas pessoas digam que o amor vem de dentro do coração, numa simpática metáfora. Se, toda a nossa vida passa pelo coração para poder circular pelo corpo, talvez o amor circule junto com o sangue, percorrendo todo o nosso corpo.
Mas, durante uma pequena viagem pelo nosso corpo, o sangue, antes límpido e cheio de vida, se suja e perde a vitalidade, pelas veredas do nosso interior, até voltar ao coração. Como o amor, talvez. Nasce imaculado, puro, mas, com o tempo, dentro dos caminhos pelos quais envereda, se conspurca. E, em pulsos fracos, quando o coração não corresponde ao pedido de sangue para o corpo, este circula lentamente, quase parado, morto. Se um amor não possuir a resposta, logo a apatia vai se infiltrar em seu semblante e matá-lo, pouco a pouco.
E, se alguém ingerir veneno, este vai escorrer até seu sangue. Impregnando todo o caminho por ele percorrido, causará a morte. Talvez aconteça o mesmo com o amor, pois, ao ingerir os mais variados tipos de veneno, após receber golpes mortais, o amor pode enfraquecer-se tanto que chegue a morrer.
Então, talvez existam corações podres, realmente. Um coração pode apodrecer com o tempo, enchendo-se de feridas que nunca vão cicatrizar, com vestígios de palavras envenenadas, com uma face morta. Mas, a falta de credulidade só machuca. Corações podres deixam de acreditar, confiar. Corações podres têm medo de se entregar ao que poderia na verdade ser o caminho de sua vida. E medo é o contrário de amor. Corações podres são pobres, pois oferecem amor, mas estão bêbados de ódio. Corações podres só podem dizer com o que parecem, não o que realmente são, e isso sim é complicado.
Corações podres são insanos, amam o jeito como mentem para si mesmos, esperando tudo em volta queimar. E gostam da forma como se sente essa dor de amar sem sentimento, e observam as lágrimas do alvo de seu amor, como se fossem pequenas estrelas cadentes, que percorrem o infinito. E, mesmo assim, está tudo bem.
Corações podres são doentes. Corações apodrecidos poderiam ser vivos e felizes, se tentassem, porque todos podem.
Um coração humano apodrecido pelo tempo
Cheio de feridas que nunca vão cicatrizar
Com vestígios de palavras envenenadas
De sorrisos nunca feitos por essa face morta
Quando eu pude gritar com toda a voz
Somente escutei o eco das palavras
E menti pra mim com o que jamais ousei pensar
Perdi a direção ao tocar esperanças mortas
Sou apenas uma música triste
Com um coração apodrecido
E o silêncio me guiará até o fim
Até o fim
Como estrelas caindo
Lágrimas que percorrem o infinito
Quando a luz se tornar escuridão
Meus sonhos cadentes no céu
Como estrelas caindo
Como estrelas caindo
Lágrimas que percorrem o infinito
Meu coração apodrecido
FM.
Carta aos meus amigos.
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
18:30
terça-feira, 7 de setembro de 2010
'
Antes de vocês, eu nunca vi ninguém que pudesse chamar de amigo
É o silêncio de suas vozes que tenho como companhia aqui?
Tem uma frase de caneca que responde a essa pergunta
“Amigos são a certeza de jamais sermos solidão.”
Eu não quero que ninguém me ame como eu os amo.
Não espero resposta. Meu amor é gratuito. Um amor humano
Falho, mas é o mais puro sentimento que eu tenho
Suas amizades são o que me mantém vendo sentido em tudo
Foi com vocês que eu consegui ser mais humana
O que eu mais sinto falta é de escutar vocês. Ouvir vocês
Ouvir as risadas alegres e as palavras para cada momento.
Com vocês eu tive os melhores dias da minha vida
Momentos onde minha alegria não cabia em mim
E eu guardo uma caixa com algumas lembranças nossas
Marcas de uma história que ajudaram a me construir
Hoje sou melhor que antes. Hoje posso dizer que tive uma vida.
Vocês sabem que tudo aqui é verdade, vocês sabem
Foi com vocês que eu consegui ser mais humana
Perto de vocês eu vejo um sorriso verdadeiro no espelho
E é por causa de vocês que eu hoje tenho tudo o que tenho
Eu posso dizer que tenho amigos de verdade, e que eu os amo
E que eles são sagrados pra mim, que são meus anjos.
Somente Deus sabe o quanto vocês são importantes pra mim.
Somente Deus sabe o quanto vocês são importantes pra mim.
Há um tempo que não vai voltar
Um novo tempo sempre virá
Há um tempo que não vai voltar
Um novo tempo sempre virá
FM.
Antes de vocês, eu nunca vi ninguém que pudesse chamar de amigo
É o silêncio de suas vozes que tenho como companhia aqui?
Tem uma frase de caneca que responde a essa pergunta
“Amigos são a certeza de jamais sermos solidão.”
Eu não quero que ninguém me ame como eu os amo.
Não espero resposta. Meu amor é gratuito. Um amor humano
Falho, mas é o mais puro sentimento que eu tenho
Suas amizades são o que me mantém vendo sentido em tudo
Foi com vocês que eu consegui ser mais humana
O que eu mais sinto falta é de escutar vocês. Ouvir vocês
Ouvir as risadas alegres e as palavras para cada momento.
Com vocês eu tive os melhores dias da minha vida
Momentos onde minha alegria não cabia em mim
E eu guardo uma caixa com algumas lembranças nossas
Marcas de uma história que ajudaram a me construir
Hoje sou melhor que antes. Hoje posso dizer que tive uma vida.
Vocês sabem que tudo aqui é verdade, vocês sabem
Foi com vocês que eu consegui ser mais humana
Perto de vocês eu vejo um sorriso verdadeiro no espelho
E é por causa de vocês que eu hoje tenho tudo o que tenho
Eu posso dizer que tenho amigos de verdade, e que eu os amo
E que eles são sagrados pra mim, que são meus anjos.
Somente Deus sabe o quanto vocês são importantes pra mim.
Somente Deus sabe o quanto vocês são importantes pra mim.
Há um tempo que não vai voltar
Um novo tempo sempre virá
Há um tempo que não vai voltar
Um novo tempo sempre virá
FM.
Bem-vindo à Existência
Escrito por
Fernanda Medeiros
às
14:47
domingo, 5 de setembro de 2010
'
"Sob a sombra da noite, todos são iguais em suas vozes, seus olhos, seus corações. Todos têm medos, têm desejos. Todos têm esperanças tão profundas que, mesmo que tentem, não podem esquecer ou ignorar."
E o sol já não brilhava com força, àquela hora. Apenas algumas réstias de luz clareavam a linha do horizonte, entre tons de laranja, rosa e azul. E o dia se movia lentamente, caminhando para a noite. Eu divisava todo aquele verde imóvel dos campos que ficavam para trás enquanto íamos ao nosso destino. Aquele verde. Tão vivo e parado. Tão deixado para trás. Tão imperceptível aos olhos da pressa. Para aquele verde o tempo não se conta em números de relógio, mas em olhares das mais diferentes histórias que por ele passam.
Durante esse pensamento eu me vi por dentro. Em algum lugar, eu vivo por dentro. Mas, será que eu não me perdi dentro de mim, como tantos outros? Talvez eu viva com os olhos entreabertos, ou fechados. Decidi por mim, naquele momento, que queria muito mais do que a vida podia oferecer. Era uma pequena esperança que crescia enquanto o dia se esvaía, na tarde de ontem.
E eu corri. Ao som de doces melodias, embalada pelo vento forte que vinha do mar, caminhei entre uma multidão. À princípio sem entender muito bem o que estava acontecendo, minha atenção fixa num ponto dentro da escuridão ao meu lado, o oceano.
Mas algo acontecia ali, e eu me dei conta de que devia rever minha atenção. Porque pessoas estavam ali. Não como os verdes campos que eu vi durante o fim de tarde. Não estavam paradas, esperando olhares de outras histórias. Eram pessoas que construíam suas próprias histórias e se movimentavam insistentemente pela avenida. Elas clamavam. Em todas elas, vozes mostravam algo de felicidade, leveza. Elas gritavam, entoavam suas canções preferidas e erguiam as mãos, mas havia algo além de alegria em suas almas.
Então eu vi uma criança. Ela sorria. Esperava por seu pai e sorria ao vê-lo sorrir. E cantava. Esperava pelas luzes que vinham do alto e a música se aproximava. Esperava e sorria. Esperava. Meu olhar se desviou dela e haviam dois homens que acenavam felizes para alguém no meio da multidão, e esperavam a resposta. Um casal se abraçava e sorria, esperando o carinho recíproco. Todos esperavam, ansiavam. E eu compreendi.
Havia esperança em cada face ali desenhada pelo tempo. Em cada existência ali, uma ponta de entusiasmo denunciava a esperança latente em cada coração.
E não existia medo, nem olhares nublados. Tudo era tão nítido e forte que nem parecia noite naquele lugar. O vento forte carregava a esperança até o céu, enlevando as vozes e acalentando os corações, para se misturar às estrelas que pulsavam lentamente seu brilho. Com uma intensidade que me fez sentir preenchida pelo seu entusiasmo.
Era como um desafio a mexer todas as pessoas que ainda viviam em sua acomodação. Todas as pessoas afastadas de um propósito. Como se o "hoje" nunca tivesse acontecido, elas cantavam, se deixavam levar pela esperança de um "amanhã". E, num olhar em especial, eu vi uma redenção que tinha muitas histórias para contar. Essa redenção não podia mais escapar de si mesma, mas o perdão estava ali, onde aquele olhar caiu.
Restava levantar do chão e se mexer, pois o "hoje" nunca aconteceu e não voltará. Só possuímos uma vida e nela temos que depositar todas as nossas esperanças, e isso nos fará felizes. Só haverá um futuro melhor se houver um passado intensamente vivido. Sonhe com tudo quanto você quer, mesmo que seja menos do que sua vida pode oferecer. Perdoe, pois só haverá leveza em seu olhar quando as decepções e os erros forem deixados para trás. E peça perdão pelos erros cometidos, pois a humildade de reconhecer seus enganos elevará seu espírito.
Foi algo que pensei durante a noite passada, dentro do silêncio que cobriu minhas últimas palavras, durante um breve sono, de volta pra casa.
Bem-vindos à existência humana.
FM.
"Sob a sombra da noite, todos são iguais em suas vozes, seus olhos, seus corações. Todos têm medos, têm desejos. Todos têm esperanças tão profundas que, mesmo que tentem, não podem esquecer ou ignorar."
E o sol já não brilhava com força, àquela hora. Apenas algumas réstias de luz clareavam a linha do horizonte, entre tons de laranja, rosa e azul. E o dia se movia lentamente, caminhando para a noite. Eu divisava todo aquele verde imóvel dos campos que ficavam para trás enquanto íamos ao nosso destino. Aquele verde. Tão vivo e parado. Tão deixado para trás. Tão imperceptível aos olhos da pressa. Para aquele verde o tempo não se conta em números de relógio, mas em olhares das mais diferentes histórias que por ele passam.
Durante esse pensamento eu me vi por dentro. Em algum lugar, eu vivo por dentro. Mas, será que eu não me perdi dentro de mim, como tantos outros? Talvez eu viva com os olhos entreabertos, ou fechados. Decidi por mim, naquele momento, que queria muito mais do que a vida podia oferecer. Era uma pequena esperança que crescia enquanto o dia se esvaía, na tarde de ontem.
E eu corri. Ao som de doces melodias, embalada pelo vento forte que vinha do mar, caminhei entre uma multidão. À princípio sem entender muito bem o que estava acontecendo, minha atenção fixa num ponto dentro da escuridão ao meu lado, o oceano.
Mas algo acontecia ali, e eu me dei conta de que devia rever minha atenção. Porque pessoas estavam ali. Não como os verdes campos que eu vi durante o fim de tarde. Não estavam paradas, esperando olhares de outras histórias. Eram pessoas que construíam suas próprias histórias e se movimentavam insistentemente pela avenida. Elas clamavam. Em todas elas, vozes mostravam algo de felicidade, leveza. Elas gritavam, entoavam suas canções preferidas e erguiam as mãos, mas havia algo além de alegria em suas almas.
Então eu vi uma criança. Ela sorria. Esperava por seu pai e sorria ao vê-lo sorrir. E cantava. Esperava pelas luzes que vinham do alto e a música se aproximava. Esperava e sorria. Esperava. Meu olhar se desviou dela e haviam dois homens que acenavam felizes para alguém no meio da multidão, e esperavam a resposta. Um casal se abraçava e sorria, esperando o carinho recíproco. Todos esperavam, ansiavam. E eu compreendi.
Havia esperança em cada face ali desenhada pelo tempo. Em cada existência ali, uma ponta de entusiasmo denunciava a esperança latente em cada coração.
E não existia medo, nem olhares nublados. Tudo era tão nítido e forte que nem parecia noite naquele lugar. O vento forte carregava a esperança até o céu, enlevando as vozes e acalentando os corações, para se misturar às estrelas que pulsavam lentamente seu brilho. Com uma intensidade que me fez sentir preenchida pelo seu entusiasmo.
Era como um desafio a mexer todas as pessoas que ainda viviam em sua acomodação. Todas as pessoas afastadas de um propósito. Como se o "hoje" nunca tivesse acontecido, elas cantavam, se deixavam levar pela esperança de um "amanhã". E, num olhar em especial, eu vi uma redenção que tinha muitas histórias para contar. Essa redenção não podia mais escapar de si mesma, mas o perdão estava ali, onde aquele olhar caiu.
Restava levantar do chão e se mexer, pois o "hoje" nunca aconteceu e não voltará. Só possuímos uma vida e nela temos que depositar todas as nossas esperanças, e isso nos fará felizes. Só haverá um futuro melhor se houver um passado intensamente vivido. Sonhe com tudo quanto você quer, mesmo que seja menos do que sua vida pode oferecer. Perdoe, pois só haverá leveza em seu olhar quando as decepções e os erros forem deixados para trás. E peça perdão pelos erros cometidos, pois a humildade de reconhecer seus enganos elevará seu espírito.
Foi algo que pensei durante a noite passada, dentro do silêncio que cobriu minhas últimas palavras, durante um breve sono, de volta pra casa.
Bem-vindos à existência humana.
FM.
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Et triumphator nobilis,
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Et triumphator nobilis,
Dulcedo ineffabilis,
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