Até o fim da Melodia

sexta-feira, 27 de agosto de 2010
'

"Dizem que anjos sangram em silêncio para proteger, e este é meu silêncio por você. Até o fim da melodia, por você."

E, numa noite qualquer, a brisa entra fria pela janela do quarto. A mesma que faz as folhas das árvores se mexerem. Ali, no frio daquele cômodo, um anjo escreve suas memórias mórbidas. Até o fim da melodia, pelos vastos campos de sua mente, ele caminha.

Suas mãos gélidas e sua face pálida, os cabelos caídos nos ombros. As lágrimas que umedecem o lençol são a imagem da solidão que se instalou em sua vida. Da dor que o consome conforme os dias se vão. Até o fim da melodia, o conforto de seu silêncio será seu túmulo.

Pois seus segredos estão tatuados bem abaixo de sua pele. Ele ainda pressiona as fotos amareladas contra o corpo. Suas lágrimas ainda rolam calmas por seu rosto magro.

E um turbilhão de vozes gira em sua cabeça, até as mãos irem à testa, onde os dedos pressionados na pele causam uma falsa impressão de conforto. Com as pálpebras cerradas ele busca ar para os pulmões e, até o fim da melodia, seu fôlego será o que lhe sustentará a vida.

A escuridão que lhe impede a visão queima seus olhos, esconde-os na sombra da ignorância. O sangue que abandona seu corpo pinta suas cobertas. O frio entorpece a dor silenciosa em seu corpo. Porque, até o fim da melodia, anos sangrarão em silêncio para proteger.

E então, até o fim da melodia, seu coração pulsará. Sua voz será calma e seus olhos estarão cobertos escondendo seus medos, os retalhos de seus anseios, os poucos rastros de felicidade que o satisfazem por segundos. Momentos fugidios de uma sobrevida. Até o fim da melodia.

FM.

Escrito em 9 de fevereiro de 2009. Uma noite qualquer...

"Illumina Tenebras"

quinta-feira, 26 de agosto de 2010
'
"Saiba que, quando você apaga as luzes, as estrelas ficam mais cintilantes."

Ontem à noite, admirei a lua por alguns instantes, poucos segundos. Em todo o seu esplendor de estado, ela iluminava a escuridão da noite e e trazia algumas lembranças.

Aquela noite de Novembro era habitualmente quente, mas o vento que corría ali era frio e acariciava as paredes por onde se espalhava. Na minha caminhada de volta à minha casa eu apreciava a noite e o céu. Inspirava aquele ar, já sabendo o que me aguardava dali a algum tempo. E eu mirei a lua. Cheia. Cheia como ontem. Uma aura leitosa em volta daquele astro era a representação de toda a luz que o sol refletia.

E eu a olhava, naquela noite, como ontem, para as estrelas que brilhavam timidamente, como entristecidas por não conseguirem se igualar a lua. Me entristeci. Sim, era um sopro de lucidez em meio ao meu êxtase de estar ali. O fogo que queimava em minha memória e me fazia lembrar daquela noite de novembro se apagou no momento em que minha consciência gritou que novembro não voltaria, nada do que eu tinha seria meu novamente.

E veio a escuridão. Um estado de ausência de luz. Tão seguramente impenetrável e tão tangível pelo tempo. E meus olhos se desarmaram. Senti medo. Um medo que me corroeu durante uma tempestade de tempo e que voltou naquele momento. Algo que me impedia de falar à plena voz. Senti medo de me perder novamente, de perder novamente.

Porque eu ja perdi tudo. E eu sei que nada dura para sempre. Mas meu coração já se machucou demais para perder os pedaços que eu consegui restituir. Por isso eu desisti de sentir. Dentro da escuridão eu me senti acolhida. Mas a lua teimava em refletir um brilho leitoso sobre mim.

E eu reparei, no momento em que minha cabeça repousou sobre o travesseiro, que a escuridão não existe por si mesma. Afinal, ao ser atingida pela luz, deixa de existir e revela as matizes, os tons, as cores que existem ao redor da sombra morta.

E minhas teorias cairam mais uma vez. Como uma luz na escuridão em que eu estava mergulhada, eu compreendi que posso criar as luzes que mostrarão as cores vindas de mim. É como se eu pudesse valsar, rodopiando num salão cheio de vitrais com imagens do meu passado. Em sua plenitude de cores, vivas como eu. E nada poderia me tocar, somente as cores.

E ao som de uma música, a história da minha vida se desenrolaria em vivas notas e vozes. Teria sabores e cheiros, todos os sentidos humanos. Eu sentiria os arrepios e aquela sensação de liberdade. Ouviria as risadas e lá no alto, nos vitrais, eu enxergaria a mim mesma e diria que fui iluminada pelo sabor de ter vivido intensamente. E não me arrependeria.

E a escuridão se iluminaria, a noite caminharia assim, para sempre.

Sorri. Adormeci. Acordei hoje pela manhã e agora posto mais um devaneio meu, como tantos outros que já escrevi.

FM.

6 de Janeiro de 2001

segunda-feira, 16 de agosto de 2010
'


A casa estava para ser esvaziada naquela manhã. Eram 8:00 h quando meus olhos se abriram. Ela me pedia para levantar e me arrumar, partiríamos em alguns instantes e deixaríamos toda uma vida para trás, mas eu estava feliz. Corri até o banheiro e me olhei pela última vez naquele espelho pequeno de moldura branca. Sorri e olhei tudo em volta.

Juntei todos os meus cd's e meus livros. Guardei os brinquedos e dei uma pequena volta pela casa. Eu estava completamente feliz. Era uma manhã ensolarada e livre. A brisa soprava friamente amena, o caminhão parado lá fora já estava cheio, àquela hora. Passei os dedos pela parede do corredor, como de costume. Era toda uma vida deixada para trás, sim, mas era um recomeço, pelo menos pensava eu.

Eu estava feliz.

Foi um curto percurso de carro. Algumas ruas que eu já estava acostumada a atravessar. Mas naquele percurso, havia algo de definitivo. Era como sentir as mãos do tempo agindo de forma a mudar tudo na minha vida. As memórias permaneceram, mas o passado já havia passado. Aquele era um momento no qual eu passei muito tempo me preparando para acontecer. Eu adorei aquela mudança.

E, ao entrar naquela casa, o cheiro de novo invadiu minhas narinas e eu sorri firmemente, sem conseguir parar. Era tudo tão branco, as portas de cor tão escura quanto meus cabelos. O piso de cerâmica que nós dois havíamos escolhido juntos, dispostos em diagonal. As cores quase imperceptivelmente diferentes entre o teto e as paredes. A luminárias limpas e claras.

Eu caminhei pelo longo corredor até meu quarto e entrei, ainda vazio. Meus olhos de criança se ergueram e fitaram todo o cubo que era meu quarto, enorme à minha estatura. Imaculadamente branco. As janelas grandes e de cor escura deixavam entrar uma forte corrente de vento e naquele momento eu me senti mais livre que em toda a minha vida. Foi uma das sensações mais fortes que já me ocorreram até hoje.

E, enquanto preenchiam aquele espaço com meus móveis, eu rodava pelos cômodos, vendo todos aqueles anos de espectativa e detalhismo se transformarem em algo concretamente realizado. Era um momento de quebra, pelo menos eu pensava assim.

Durou pouco. Foi um belo dia, aquele 6 de janeiro de 2001. Passou. Mais uma vez a mão do tempo se ergueu sobre minha condição humana e agiu na vida, mas minhas memórias permaneceram. E continuarão comigo, mesmo que passe mais dez anos, até que a morte me extingua.

FM.

Lágrimas do Sol (A Little Dream)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010
'


Um dia, vi a tristeza nos olhos dos homens. Oprimidos por seus anseios, dúvidas e dor, eles caminhavam. Uma multidão num cortejo sem fim. Haviam marcas de violência e fragilidade em seus passos, sua história os fazia moverem-se através do tempo, sem perceber a vida ao seu redor. E eu os julguei mortos. Não como os mortos, pois estes não possuem mais as chagas do sofrimento, mas como impassíveis.

E vi o mal que se comete debaixo do sol. Vi alguns corações insanos nos prazeres terrenos, perdidos. Vi outros corações na casa do luto, pesteados pela tristeza. Vi o silêncio que cobriu o céu naquele instante. Era o sol que sumia, por entre as nuvens. Eu pedi pelas poucas esperanças que ainda restavam naquele lugar, pela restauração. Pela vida em sua plenitude.

E gotas de chuva começaram a cair. A luz do dia ainda pairava fracamente pela terra, e os semblantes cansados fitaram o firmamento. Eram lágrimas de um sol que lavava aqueles espíritos errantes. Eram lágrimas do amanhecer, lágrimas de lassidão, de compaixão. Entre as nuvens, réstias de luz surgiam lentamente.

Nesse instante vi anjos cortando o alvorecer. Um vento começou a soprar do oriente, ardentemente em volta do solo. No céu, grandes melodias eram entoadas pelas vozes doces do daquele lugar. E, nos olhos das pessoas que fitavam o céu, havia paz. As vozes saíam com força de suas gargantas. Em cada coração se refazia a promessa da esperança que iria renascer.



Um pequeno sonho que tive noite passada.

FM.

Aonde você Irá?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010
'

Ontem me deparei com uma situação interessante. Durante meu silêncio na noite, sozinha no meio de tantas pessoas, comigo mesma pensei em aonde estaria indo meus pés. Tão longe quanto poderiam ir, até o céu. De repente aquelas paredes brancas se desmancharam e em alguns segundos eu sumi dali. As pessoas ao redor gritavam, clamavam, e eu simplesmente voei para longe, em pensamento.

Divaguei sobre o sentido de saber que eu sou. Sobre onde eu estava... Sobre para onde eu iria. Sentada naquele lugar, sem entender muito bem as palavras ditas ali, eu somente busquei as respostas para minhas perguntas. Abri um pequeno livro preto, sagrado, e me deparei com uma lição. Mais uma dentre tantas que já presenciei.

Eu sou tão importante quanto qualquer um é. Não sou melhor que ninguém, não tenho o direito de julgar ninguém, portanto não o faço. Não aponto meu dedo e procuro não ser injusta em meus comentários. As vezes eu cumpro o papel de tudo quanto eu quero ser, mas eu sei quem realmente sou. Sou apenas mais alguém que vive nessa terra e busca algum sentido para viver. Só não sei para onde vou. Minhas escolhas vão me levando como o vento e a lua distribuem as marés. Eu sou aquela que chora quando está sozinha, mas eu peço ajuda a quem confio.

Eu sei que ninguém poderá me salvar de mim mesma. Sei que não posso escapar de mim.

Tenho a impressão de, às vezes, enxergar através dos olhos daqueles que observo. Alguns estão assustados demais para ver a realidade. Ninguém ouvirá e verá seus pedidos, ninguém nunca ouvirá seu coração sangrar, se nunca se pronunciar, mesmo que apenas diante de Deus. Você será deixado para trás, se tentar encarar toda a dor de si, sozinho. Eu sei que posso ouvir seus sussurros. Mas sozinho, você não poderá me ouvir, mesmo se eu gritar.

E aonde você irá? Ninguém conseguirá te salvar de si mesmo, você não pode tentar escapar da verdade, mesmo que assustado, você não pode abandonar tudo e se fechar para a vida. Você não pode escapar.

Um dia, eu me cansei de falar palavras que ninguém entende. Ponderei sobre meus temas e refleti, em busca de respostas. Não sei se essas são palavras jogadas ao vento, mas elas são puramente minhas.

Está claro que ninguém vive a vida sozinho? Então... Aonde você irá? Tão sozinhos quanto você, existem milhões. Ninguém tentará te salvar de si mesmo. Você não poderá escapar da verdade, mesmo que assustado, eu sei que pode parecer assustador encarar a dor, mas você não pode fugir. Não pode rejeitar isso, não poderá escapar nunca... Afinal, aonde você irá? Que caminho você pretende seguir? Quais são as suas respostas? Ouça seu coração. Respeite sua inconsciência e busque o alívio na mão que absorve sua dor. Uma mão que não é material, mas que tira tudo o que te machuca de perto de você, e sua vida não será mais tão solitária quanto parecia antes.

Foi um pequeno pensamento que tive noite passada, enquanto divagava sobre quem sou, ou para onde irei.


FM.

Escudos Retorcidos (Flores de Papel)

domingo, 8 de agosto de 2010
'


Meus pensamentos me mantém lúcida durante meus dias. É por eles que não perco o sentido e a direção. É neles que encontro os sentidos que busco naquilo que não compreendo. Mas é em meus pensamentos que se formam meus escudos. Barreiras que me ajudam a proteger do mal que possa me atingir, é com esses escudos que me firo por não conseguir sentir tanto quanto gostaria.

Em minhas palavras introspectivas eu abri caminhos para a lucidez. Foi na solidão que aprendi o valor de todas as ações do ser humano. Em minha observação eu deixei cessar o som dos meus gritos e o medo das noites silenciosas, onde minhas mãos trêmulas perdiam o controle. Hoje eu somente anseio pelos sonhos de meu sono profundo.

Pois são meus sonhos, os suspiros de minha inconsciência, que continuam latentes em vida e choram toda a virtude de meus sorrisos reprimidos, trocados por crises falsas de riso. Meus sonhos são a luz imaginária que me guiam diante de todo o tempo que ainda virá, até que eu entre num sono profundo demais para acordar.

Todos os dias, assim que acordo e quando vou dormir, peço a Deus que me proteja dos meus escudos próprios. Peço que Ele ilumine meus olhos para que eu possa enxergar a virtude nos olhos do outro. E eu sei que um dia, meus pensamentos me levarão a um lugar onde meus escudos serão totalmente retorcidos.

Quando isso acontecer, haverá uma luz que servirá para clarear não somente as trevas físicas de um lugar. Ela se aprofundará em minha alma. E os monstros nunca mais chamarão meu nome. Eu permanecerei num lugar onde o vento sussurra doces palavras e as gotas de chuva contam as histórias.

Pois quando eu deito a cabeça e espero por respirar sem peso algum, sinto que um anjo derrama flores de papel sobre mim, onde escrevo palavras de alívio e alegria, onde ele sorri para mim e eu me lembro de meus bons sonhos, meus bons pensamentos. Num campo de flores de papel, com doces nuvens de ninar, sem mentiras eu assisto a paz que tanto sonhei durante toda a minha vida.

Num campo de flores de papel.


FM.

Pijamas rajados de Sangue

quinta-feira, 5 de agosto de 2010
E eram apenas pijamas listrados a caminhar no dia cinza
Eram cinzas de lembranças espalhadas no vento frio
Eram faces mudas e tristes a caminhar entre correntes
Era o triste som do desespero que circulava por ali

Mas as mesmas mãos que ofereceram o ódio para repelir
Aqueles pescoços errantes que obrigados a aceitar
Uma ideia de brincar de morte a cada instante
Eram as mãos pelas quais toda a pérola era retirada

E naqueles olhos infantis havia algo de infelicidade
Nos dedos delicados de criança havia sangue e cinzas
De cada parte sua que foi apagada por fardas alinhadas
Das cantigas de roda agora restavam as memórias

E eram passeios sem volta que levavam os queridos
Levavam os bons dias para longe, para sempre
Deixavam a dor da perda de mais um laço de amor
Liberavam mais lágrimas sobre olhos cansados

E apenas aquele solo era testemunha de tudo
Apenas aqueles pijamas rajados de sangue poderiam explicar

Adormecido no tempo
Sujo pelo ódio de tempos atrás
Marcado por todo o medo
Aquele solo era testemunha
Morto no tempo por uma guerra muda
Apagado por fardas alinhadas
E ver o sol nascer em mais um dia cinza
Ver a honra e glória alheia varrendo sua história

Uma guerra muda
Pijamas rajados de sangue
Brincando de morte
Mais corpos caídos

FM.

Uma lição Matinal.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010
"Nós sempre temos a tendência de ver coisas que não existem, e ficar cegos para as grandes lições que estão diante de nossos olhos."

Deixei o dia me levar, hoje. Durante essa manhã, ponderei sobre um autor. Miguel de Cervantes de repente me pareceu fascinante. Sob o vento matutino, em minha caminhada até a sala de aula pude refletir, no meu silêncio, sobre um de seus personagens. Dom Quixote é o rei da ordem desordenada.

Louco ou sonhador? Quem ousaria dizer que os gigantes de suas batalhas eram apenas moinhos? Ele possuía imaginação fértil, mas em seu coração havia uma pureza que não o fazia mentir. Eu chegaria a dizer que algo em Dom Quixote transpira coragem. Sim, por que não? Ele enfrentava todos os monstros e maiores desafios, destemido. É uma grande lição, sim. Ele possuía um medo, no entanto. Largar seus sonhos e cair numa dura realidade lhe fazia transparecer seu pior.

Uma vez me disseram que medo é perícia, que é necessário e que ninguém vive sem ele. E coragem? Às vezes, muitas vezes, é tão necessário quanto o medo. É a característica da virtude pregada por Aristóteles. O justo meio entre os dois é saber quando usar a coragem e o medo ao seu favor.

Também já ouvi que sentimentos existem para serem usados, logo, eu poderia ter escolhido ser curiosa. Fazer o que gosto, contar a verdade, dizer o que sinto, me expressar. Eu poderia ter escolhido ser independente, falar o que penso, me importar. Andar por aí, fazer amizades verdadeiras. Falar olhando nos olhos. Eu poderia ter escolhido sonhar.

Mas, muitas vezes por medo, por minha falta de coragem, eu falhei nisso.

Se todos nós fizéssemos como Dom Quixote, no sentido de enfrentar os obstáculos de nossas vidas em busca de um objetivo de peito aberto, sem se importar com o tamanho das paredes que bloqueam nossa passagem, se talvez a criação desses obstáculos em nossas mentes pudessem ser apagadas com o simples sopro de lucidez da coragem, tudo seria diferente.

Segundo dicionários, coragem significa firmeza de espírito, energia diante do perigo; valentia; perseverança.

Em uma curta análise, logo, a lição de perseverança do personagem mais famoso de Miguel de Cervantes deveria sobressair à sua "loucura". Aliás, se havia loucura nas veias de D. Quixote, não era maior que sua intrepidez. Entusiasta e criativo, mais que qualquer outro adjetivo que já tenha sido imposto a ele. Bastaria que caísse um olhar diferente e todos poderiam entender que a figura latente e febril de sua coragem o faziam permanecer em suas aventuras.

Mas isso é apenas uma humilde opinião... Uma pequena lição na qual pensei hoje pela manhã, à caminho da sala de aula.

Entre aqueles que estão emudecidos, poucos são os que ficam em silêncio.

Que tal ter um pouco de coragem e enfrentar o que se deve enfrentar? Pode ser tão ou mais interessante que guardar as palavras em sua mente, as ações dentro de sua cabeça.


FM.

Boa noite.

terça-feira, 3 de agosto de 2010
'

Durma bem.
Eu estarei ao seu lado.
Velarei seu sono.
Romperei com teu medo.
Permanecerei acordada, admirando seus sonhos.
As luzes da noite serão minhas testemunhas.
Deixe as lágrimas.
Seque os olhos, criança.
Boa noite não quer dizer adeus.
Quando seus olhos abrirem pela manhã, eu estarei ao seu lado.
Durma bem.


FM.