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“Galatarius.”
Alverad estendeu o mapa, e a temperatura dentro da biblioteca diminuiu
imediatamente. Uivos de um vento que não existia tomaram a audição de Nathan, e
névoas negras poluíram o ar como fumaça, como línguas que se estendiam na luz,
e a contaminavam. O menino estreitou os olhos em meio às brumas, e abanou a mão
na frente do rosto, para afugentá-las.
Então
ele viu quatro luas iluminarem o solo branco, coberto de neve, de uma ilha que
surgiu na névoa. Ele conhecia o formato daquele lugar. Era um coração, como
aqueles que costumava ver no laboratório de ciências. Nathan aproximou-se para
enxergar melhor no escuro, e viu um rio congelado cortar o branco de uma ponta
até a outra, em uma linha mal tracejada.
Saltaram do mapa um farol coberto por uma grossa camada de gelo e neve, com estalactites monstruosas que envolviam parte dele, de frente para o mar enregelado que quebrava contra as pedras e icebergs. Uma ponte, também coberta por estalactites de gelo que ameaçavam a neve lá embaixo, levava até uma rua de comércio. As pessoas circulavam inteiramente cobertas, e Nathan não viu o rosto de ninguém.
Mais faróis se erguiam como monstros feitos de lanças de gelo, e iluminavam a escuridão teimosa daquele lugar. Redemoinhos de neve se retorciam no ar e outra onda de brumas negras soprou na biblioteca. Ao longe, Nathan viu uma montanha, mais escura que o escuro, e uma caverna com teto em forma de arco, que abrigava um castelo rodeado por faróis, e eles emanavam uma luz bruxuleante, que aumentava e diminuía de intensidade, como uma vela na brisa.
O mapa se fechou e levou consigo a escuridão.
As Ruínas do Mar, trecho.
FM.


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