Voobrazhayemyy - Parte 1

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

VoobrazhayemyyT




T Ice dance - Edward Mãos de tesoura OST T

Lá fora a neve flutua lentamente no ar enregelado.
Através da janela eu vejo sopros de vento formarem espirais de flocos cintilantes como joias, que fluem no céu noturno, se elevam pela escuridão, e se dissipam na névoa. Lembro-me do dia em que eu sonhei que a neve eram estrelas tristes e frias, que se sentiam sozinhas, e que caíam sobre a terra para encontrar alguém e compartilhar uma dança com o vento, um momento de silêncio, ou uma noite de inverno.
Faz muito tempo.
Tanto tempo... Mas eu lembro de tudo o que aconteceu, naquele dia. Os sinos retiniam e o vento assobiava. O balanço das renas movia o trenó, e as avalanches lá embaixo eram apenas marolas de um mar alvo e pacífico. Acima de nós só existia a escuridão drapejada de estrelas frias e solitárias. O senhor vestido de vermelho ria a cada manobra mais perigosa contra a ventania, e um momento de displicência em séculos fez com que nos uníssemos à neve que pairava no infinito.
Éramos quatro, e ainda somos. Desvio meu olhar do vidro embaçado e um vislumbre de seu descanso me acalenta. Todos no quarto da princesa dormem, e assim deve ser. Exceto por uma perturbação. Movo a boca para baixo e me levanto, equilibrando minhas articulações. Caminho lentamente, e vejo minha sombra muito mais alta do que a lua que derrama seus feixes prateados sobre o branco.
Escalo a estrutura de madeira e chego ao chão. Percebo de onde exatamente vem a movimentação, e sorrio. Chego até a pequena, uma ursinha feita de vidro, que reflete todo um arco-íris quando iluminada pelo sol. Ela é nova, acabou de chegar. Quando me vê, ela cobre um pouco mais o corpinho cristalino com um pedaço de tecido das roupas da outra boneca.
Sento-me ao seu lado, e sorrio mais uma vez. “O que há? Não consegue dormir?
“E-eu... não. ” Sua voz é aguda e leve, ela é só uma criança.
“Por que? Está bem?”
“Não sei, Emyy... estou com saudade de casa...
“Não gosta da Agnes?” Indago, sem saber porque ela sente saudade.
“Gosto... mas tenho medo de que ela me abandone, como a Didi fez. ”
“Ora, Niye, Agnes sempre cuidou muito bem de todos os seus brinquedos. Você está a salvo aqui, com ela. Veja a mim, ou a Voo, o Braz, ou o Hay... nunca fomos abandonados, e estamos bem. ” Eu ri, e aconcheguei a ursinha Niye ao meu lado. “Quer que eu te conte uma história pra dormir? ”
“Que história? ”
“A história de como chegamos até aqui. A história de Voobrazhayemyy.”
“Como chegaram aqui? ”
“Vou te contar. E vou começar de um jeito que todo conto de fadas começa. ”
“Como?”
“Com era uma vez, oras.”

TTT


Continua...

FM.

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